Convenção estadual, realizada na noite desta terça (4) em Vitória, homologou as chapas a deputado federal e estadual e oficializou a dobradinha na disputa majoritária; vaga de vice segue em aberto de olho em possível aliança com o PSD
O Republicanos fechou, na noite desta terça-feira (4), o primeiro grande capítulo da sua estratégia para outubro. Em convenção estadual realizada em Vitória, o partido confirmou Lorenzo Pazolini como candidato ao governo do Espírito Santo — mas sem anunciar quem vai dividir a chapa como vice, posto que segue em aberto e que pode acabar nas mãos do PSD, legenda cortejada nos bastidores da própria sigla.
A indefinição sobre o vice não impediu, porém, que o partido avançasse em outra frente decisiva: a disputa ao Senado. Coube ao deputado federal Evair de Melo (Republicanos) a segunda vaga da coligação na corrida à Casa, ao lado da publicitária Maguinha Malta (PL), filha do senador Magno Malta. A composição reflete o acordo que sustenta a aliança entre as duas siglas — o PL só embarcou na candidatura de Pazolini mediante a garantia de uma cadeira ao Senado para a família Malta.
Também saíram da convenção as chapas de deputado estadual e federal com que o Republicanos vai à disputa proporcional.
Discurso de conciliação
Ao subir ao palco, Pazolini optou por um tom conciliador em relação aos antecessores no Palácio Anchieta. Sem citar nomes diretamente, ele fez referência a Paulo Hartung (PSD) e a Renato Casagrande (PSB) — que deixou o governo em abril para tentar uma vaga no Senado —, defendendo publicamente o “respeito aos dois governadores que governaram o Espírito Santo nos últimos 20 anos”. O gesto foi lido como um aceno tanto ao eleitorado ligado às duas gestões quanto ao próprio PSD, cuja adesão à coligação segue sendo perseguida pelo partido.
A porta aberta para o PSD
Depois do evento, Evair de Melo confirmou que a negociação com o PSD não está encerrada — pelo contrário, segue em curso e pode se materializar de mais de uma forma: tanto na chapa majoritária quanto na disputa ao Senado, nesse caso eventualmente na suplência. Ao comentar o assunto, o deputado afirmou que a legenda de Paulo Hartung ainda não bateu o martelo, mas reconheceu que ela reúne “nomes qualificadíssimos para compor não só a chapa ao Senado, mas também a governadoria” — sinal de que o Republicanos está disposto a ceder espaço relevante caso o acordo avance.
Na prática, isso significa que a convenção desta terça resolveu apenas parte da equação. O partido optou por manter a ata do encontro em aberto justamente para dar tempo às tratativas com o PSD, o que explica por que a chapa ao governo saiu sem vice definido.
O tabuleiro eleitoral no ES
A convenção do Republicanos se encaixa em um calendário mais amplo de definições partidárias no Estado, que segue até 5 de agosto, véspera do prazo final para registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, em 15 de agosto. Pazolini tentará suceder Ricardo Ferraço (MDB), que disputa a reeleição à frente de uma coalizão ampla. No campo à esquerda, o PSOL decidiu correr por fora com candidatura própria, do professor Carlos Fabian, enquanto Rede e PSOL convergem no apoio a Fabiano Contarato (PT) para o Senado.
O primeiro turno das eleições no Espírito Santo — para governador, dois senadores, deputados federais e estaduais — está marcado para 4 de outubro, com possibilidade de segundo turno em 25 de outubro.

















































































