Depois de semanas de negociação frustrada com os grupos de Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini, partido decide não apoiar nenhum candidato ao Palácio Anchieta e lança o deputado estadual em candidatura avulsa ao Senado
O Partido Social Democrático (PSD) encerrou nesta quarta-feira (5) um dos capítulos mais disputados dos bastidores políticos capixabas: depois de tentar, sem sucesso, emplacar uma vice na chapa de Ricardo Ferraço (MDB) ou de Lorenzo Pazolini (Republicanos), a sigla optou por não coligar com nenhum dos dois na disputa ao governo do Espírito Santo. Em convenção realizada em um hotel de Vitória — que chegou a ser adiada do domingo para a quarta-feira justamente para dar mais tempo às articulações —, o partido confirmou o deputado estadual Sergio Meneguelli como candidato avulso ao Senado Federal.
Duas portas fechadas
Nos bastidores, o presidente estadual do PSD e prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, trabalhou até o limite do prazo para garantir à primeira-dama do município, a médica Lívia Vasconcelos, uma vaga de vice-governadora. A tentativa esbarrou em compromissos já fechados dos dois lados: no grupo de Ferraço, a vice já estava reservada ao vereador Camillo Neves (PP), enquanto a vaga ao Senado havia sido destinada à ex-senadora Rose de Freitas, com aval da direção nacional do MDB. Na chapa de Pazolini, o obstáculo foi a pré-candidatura de Evair de Melo (Republicanos) ao Senado, somada à prioridade dada à aliança com o PL de Magno Malta em torno do nome de Maguinha Malta.
Sem espaço nas duas coligações e sem conseguir demover Meneguelli — que resistiu a qualquer alternativa e nunca cogitou disputar outro cargo —, o PSD preferiu preservar o capital político de seu único deputado estadual a abrir mão da candidatura ao Senado.
A aposta em Meneguelli
Aclamado pelos correligionários durante a convenção, Meneguelli lembrou o próprio histórico na política capixaba: em 2022, teve a candidatura ao Senado retirada pelo então partido, o Republicanos, migrou para a disputa de deputado estadual e terminou a eleição como o mais votado do Espírito Santo. Na avaliação do parlamentar, manter o partido isento na corrida majoritária deve facilitar, no futuro, a negociação da legenda com quem vencer o pleito para o Palácio Anchieta.
Lívia Vasconcelos, cotada até o fim para a vice de Pazolini, compareceu ao evento, mas optou por não discursar.
Foco nas chapas proporcionais
Fora da disputa pelo governo, o PSD concentrou esforços nas candidaturas proporcionais, registrando nove postulantes a deputado federal e dezoito a deputado estadual — número que a direção partidária afirma que ainda pode crescer até o fechamento oficial das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral, em 15 de agosto.
Reação do governador
Ao comentar a decisão da sigla, Ricardo Ferraço disse respeitar o posicionamento do PSD e destacou a robustez da coligação que já havia construído para a disputa de outubro, sinalizando que a neutralidade do partido não deve alterar a estratégia da sua candidatura à reeleição.
Efeito colateral na chapa de Pazolini
A saída do PSD das negociações majoritárias também deixou em aberto a definição da vice na chapa de Lorenzo Pazolini, que encerrou a quarta-feira sem anunciar um nome para a posição. Entre as possibilidades que circulam nos bastidores estão uma chapa pura, sob controle do coordenador político Erick Musso, e uma composição com o Partido Novo, de Iuri Aguiar, legenda que reavalia sua posição na disputa depois que o PL não confirmou apoio explícito a outro nome para a segunda vaga ao Senado.



















































































