Diagnóstico apresentado pela empresa Ultra traça o retrato socioeconômico do município e propõe diretrizes para os próximos dez anos; participação da população segue aberta pela internet
Montanha, ES — A Prefeitura Municipal de Montanha promoveu, no dia 21 de julho, uma audiência pública na Câmara Municipal para apresentar o diagnóstico e as primeiras propostas do novo Plano Diretor Municipal (PDM). O encontro reuniu autoridades, técnicos e moradores para discutir os rumos do ordenamento territorial da cidade pela próxima década.
Um plano sem custo para os cofres públicos
A elaboração do documento não representa despesa para o município. O trabalho é uma exigência ambiental vinculada ao licenciamento, pelo IBAMA, de uma linha de transmissão de energia da Neoenergia, que corta os Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia e atravessa a comunidade de Santo Antônio, área de agricultura familiar. Como o empreendimento altera o uso e a ocupação do solo, Montanha passou a ser obrigada a ter um Plano Diretor mesmo contando com população abaixo do limite de 20 mil habitantes previsto pelo Estatuto das Cidades — hoje em torno de 18.900 pessoas. Todo o custo do estudo é bancado pela empresa responsável pela linha, sob coordenação da consultoria carioca Biodinâmica, que contratou a equipe técnica da Ultra para conduzir o diagnóstico.
Economia local: café e mamão como pilares
O levantamento técnico traçou o perfil demográfico e econômico do município, marcado por uma zona rural ainda expressiva — 19% da população, acima da média estadual — e por uma economia sustentada principalmente pelo cultivo de café e mamão. Entre as propostas apresentadas está a criação de um selo de origem, batizado de “Produzido em Montanha”, com o objetivo de agregar valor à produção agrícola local. A ideia é estimular o beneficiamento dentro do próprio município — como a torrefação do café e a produção de sucos — em vez da venda apenas in natura, além de incentivar a diversificação para outras culturas, como goiaba e banana.
A fala da prefeita
A prefeita Iracy Baltar defendeu o engajamento da população na construção do plano. “Este plano não é da prefeita, é do município de Montanha. É o momento de opinar para que a cidade não cresça desordenadamente”, afirmou. Ela lamentou a baixa adesão às audiências anteriores e associou problemas cotidianos, como calçadas quebradas e falhas na mobilidade urbana, à falta de participação popular na definição de prioridades.
Zoneamento, meio ambiente e patrimônio
O diagnóstico técnico recomenda o adensamento de áreas que já dispõem de infraestrutura, evitando a expansão desordenada da malha urbana. A Barragem Tutu Reuter foi apontada como um dos principais ativos de lazer e potencial turístico do município, com sugestão de requalificação de seu entorno. Outras diretrizes incluem a recuperação de nascentes e áreas de preservação permanente, melhorias na mobilidade sanitária para o transporte de pacientes a centros de maior complexidade, regularização fundiária em bairros periféricos e a preservação do patrimônio imaterial que sustenta a identidade de Montanha como a “Capital da Amizade” .
Turismo como aposta estratégica
O plano também aponta o turismo como vetor de diversificação econômica, apoiado em três frentes: o ecoturismo, favorecido pela existência de cavernas e sítios geológicos e paleontológicos ainda pouco explorados; o lazer vinculado a recursos hídricos, com destaque para a Barragem Tutu Helter; e o turismo cultural e gastronômico, ancorado nas tradições juninas e na culinária típica. A sede do município também preserva exemplares de arquitetura colonial, eclética e modernista que podem, segundo o diagnóstico, compor futuros roteiros de visitação histórica.
Participação continua pela internet
Quem não compareceu à audiência ainda pode contribuir com o processo. Pelo site planodiretor.com, é possível baixar o diagnóstico completo, com mais de 200 páginas, enviar sugestões por chat, utilizar um aplicativo de mapeamento colaborativo para indicar pontos positivos ou problemas na cidade — com fotos, legendas e localização exata — ou enviar mensagens por WhatsApp e QR Code disponibilizado durante as transmissões. Segundo Raiato, diretor da Ultra, as contribuições digitais serão sistematizadas com apoio de inteligência artificial e organizadas por temas para embasar a redação da minuta de lei que seguirá para a Câmara Municipal.
Estiveram presentes os vereadores Divaldim (presidente), Odair Celin, Paulinho Motorista e Clebão (licenciado e atual secretário Municipal de Meio Ambiente.



















































































