Em sabatina da Rede Gazeta, candidato do Republicanos ao governo do Espírito Santo defende choque de gestão, concursos para recompor as polícias e aposta no turismo para atravessar a reforma tributária
Candidato do Republicanos ao governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini apresentou nesta terça-feira (1º), em sabatina da Rede Gazeta, as diretrizes de um plano de governo ancorado em três eixos: enxugamento da máquina pública, expansão da educação em tempo integral e recomposição do efetivo policial. Auditor do Tribunal de Contas e delegado de carreira, ex-deputado estadual e prefeito de Vitória, ele apresentou a experiência técnica como diferencial e prometeu transpor para o Palácio Anchieta o modelo que diz ter aplicado na capital.
O ponto de partida do discurso foi a promessa de reduzir cargos comissionados. Pazolini afirmou que pretende extinguir o que classificou como “cabides de emprego” criados por acomodações partidárias e garantiu que quem “só aparecer na folha de pagamento” não fará parte de seu governo. Segundo o candidato, em Vitória a extinção de metade dos cargos de confiança gerou economia de R$ 150 milhões. No estado, porém, ele evitou fixar o mesmo percentual: falou em depuração gradual, iniciada em torno de 20%, semelhante à que diz ter conduzido na prefeitura a partir de 2021.
Permaneceriam, segundo ele, os comissionados que entregam políticas públicas e tenham perfil técnico. O dinheiro economizado seria redirecionado para escolas, unidades de saúde e valorização de servidores efetivos, com recomposição salarial acima da inflação. O candidato citou ainda o combate à elisão e à evasão fiscal como caminho para ampliar a receita própria do estado.
Segurança: concurso e força-tarefa integrada
Na área que lhe é mais familiar, Pazolini apontou um déficit crítico no efetivo da Polícia Civil capixaba — 42% dos cargos em aberto, segundo os números que apresentou. A proposta é realizar concursos e nomear 100% dos aprovados, medida que diz ter adotado com a Guarda Municipal de Vitória, cujo reajuste acumulado no período teria passado de 100%. Ele defendeu que investigadores e escrivães sejam valorizados como linha de frente na elucidação de crimes e atribuiu a sensação de impunidade justamente à falta de gente nas delegacias.
O candidato também defendeu uma força-tarefa estadual permanente contra facções e crimes virtuais, reunindo Ministério Público, Defensoria Pública e as polícias Civil, Militar, Rodoviária Federal, Penal e Científica na mesma mesa de coordenação. O arranjo incluiria laboratórios de cibersegurança e investimento em tecnologia da informação. Como referência, citou a cooperação estruturada entre a Prefeitura de Vitória e a Polícia Federal e sua passagem pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, onde afirma ter contribuído para mais de 1.500 prisões de abusadores.
Na frente preventiva, propôs cursos gratuitos de capacitação digital para idosos, público que apontou como o mais visado por golpes de engenharia social.
Creche universal e tempo integral como política de segurança
Pazolini tratou a escola em tempo integral como política de segurança pública, e não apenas educacional. Afirmou ter ampliado de 4 para 50 o número de unidades em tempo integral em Vitória e associou a expansão a uma redução de 53% nos índices de violência nos territórios atendidos, além de um período de 653 dias sem registro de feminicídio no município. A explicação apresentada é comportamental: a escola educaria os meninos, desde cedo, a respeitar as meninas, e esses valores se irradiariam da sala de aula para o ambiente doméstico.
O candidato contrastou ainda o acesso à creche no Estado — 35% das crianças de 0 a 3 anos, segundo seus dados — com a universalização que diz ter alcançado na capital, e prometeu acabar com os sorteios de vagas. Pretende também manter a rotina de visitar escolas pessoalmente: em Vitória, disse, a agenda de governo começava em uma unidade escolar três vezes por semana.
Metas e bônus por desempenho
Para o funcionalismo, a proposta é um sistema de metas setoriais com bonificação financeira, nos moldes do Provix, pago aos profissionais de saúde na capital. As metas seriam cobradas por categoria profissional, e não individualmente: na saúde, produtividade, tempo de resposta e acesso; na educação, evolução do Ideb e índices de aprendizagem; no atendimento social, humanização do serviço, com destaque para o acolhimento a mulheres vítimas de violência doméstica.
O bônus, ressaltou, funcionaria como adicional ao salário de carreira e aos reajustes lineares, sem substituí-los. Em Vitória, segundo ele, praticamente 100% dos servidores da educação recebem hoje a gratificação.
Turismo, reforma tributária e logística
O candidato projeta um cenário de sobrevivência econômica em 2032, com o fim dos incentivos fiscais, e chamou o turismo de “grande chave” para atravessá-lo. O argumento: com a tributação migrando para o destino do consumo, um estado de cerca de 4,1 milhões de habitantes, cercado por vizinhos muito mais populosos, precisará atrair gente de fora para gastar em seu território, aquecendo serviços, hotelaria e gastronomia. Citou investimentos na orla, no Canal de Camburi, na Ilha das Caieiras e na Grande São Pedro como o modelo a ser replicado.
Na logística, cobrou a viabilização da ferrovia EF-118 e a modernização das rodovias que servirão o novo porto privado da Imetame, em Aracruz — malha que, segundo ele, não suporta o volume de carga previsto. Não citou estradas por nome.
Na mobilidade urbana, defendeu renovação da frota do transporte coletivo, reforma de terminais — mencionou as condições dos banheiros e a insegurança interna —, qualificação dos profissionais e intervenções viárias para reduzir o tempo de deslocamento, hoje de uma a duas horas diárias para parte dos usuários. Cobrou também interlocução do governo com os prefeitos da Região Metropolitana, independentemente de partido.
Fome e restaurante popular nos 78 municípios
Questionado sobre políticas sociais, o candidato afirmou que 13% dos capixabas vivem em insegurança alimentar e nutricional e prometeu levar o restaurante popular a todos os 78 municípios do estado, com financiamento vindo da economia gerada pelo choque de gestão.
Pazolini também voltou ao episódio da compra de álcool em gel durante a pandemia. Afirmou que ele e sua equipe formalizaram a denúncia junto ao Tribunal de Contas, à Polícia Federal e a outros órgãos de controle, e que o caso, inicialmente sob sigilo, resultou em prisões de agentes públicos e afastamentos no governo do estado — a mesma gestão, frisou, que hoje está no poder.
Aliança à direita e discurso de pacificação
Sobre o campo político, Pazolini reafirmou identidade de centro-direita e proximidade com o projeto nacional do PL e de Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que marcou posição na defesa do sistema de freios e contrapesos. Criticou o que classificou como penas desproporcionais e excessos institucionais, em referência ao 8 de janeiro e ao papel do Senado na fiscalização dos poderes.
O tom final foi de pacificação. Segundo o candidato, a disputa se encerra no dia do resultado e, a partir de janeiro, o Palácio Anchieta seria um ambiente de governança técnica, com diálogo com todos os partidos e respeito à Constituição.
Os dados, percentuais e resultados de gestão citados nesta matéria foram apresentados pelo candidato durante a sabatina e em material de campanha, e não foram objeto de verificação independente por esta redação.


















































































