Em sabatina de A Gazeta e CBN Vitória, candidato ao governo do ES desconversa sobre apoio do PT condicionado a Lula, promete inteligência artificial contra o caixa das facções e escolas 100% em tempo integral
O candidato ao governo do Espírito Santo Ricardo Ferraço declarou-se contrário à escala de trabalho 6×1, mas condicionou o fim do modelo a uma transição gradual, construída por acordo entre empregadores e trabalhadores. A declaração foi dada durante sabatina de A Gazeta e CBN Vitória com os candidatos ao governo do Estado, na manhã desta segunda-feira (31), na sede da Rede Gazeta.
Para o candidato, homens e mulheres precisam de mais tempo para a família, o lazer, o esporte, a cultura e os cuidados com a saúde mental. Ele defendeu uma flexibilização capaz de construir um ambiente de trabalho mais humano, ressalvando que o novo desenho da jornada deve resultar de negociação entre o empreendedor e o trabalhador, e não de imposição.
Apoio do PT e a polarização nacional
Confrontado sobre a hipótese de o apoio do PT vir condicionado a um endosso à candidatura de Lula, Ferraço evitou tomar lado na disputa nacional. Agradeceu o apoio de todos os que manifestarem confiança no projeto que lidera e afirmou que “todo o apoio é muito bem-vindo para que nós possamos manter o Espírito Santo com foco no futuro”.
O candidato sustentou que sua missão é não subordinar os interesses do povo capixaba à polarização política e ideológica. Definiu-se como “100% Espírito Santo” e disse estar pronto para governar e dialogar com quem quer que os brasileiros elejam para a Presidência da República. Ao longo da entrevista, construiu seu discurso sobre a ideia de continuidade administrativa da gestão Renato Casagrande, defendendo resultados práticos no lugar de disputas partidárias.
Segurança: domínio territorial e descapitalização do crime
Na segurança pública, Ferraço classificou o tema como uma “obra inacabada” e apresentou propostas ancoradas em tecnologia, inteligência e integração das forças policiais.
A principal novidade estrutural é a criação de uma subsecretaria dentro da Secretaria de Segurança Pública, com a missão de coordenar a atuação conjunta das polícias Militar, Civil, Penal e Científica e do Corpo de Bombeiros. O objetivo declarado é impedir que facções criminosas estabeleçam qualquer forma de domínio territorial ou controle de comunidades no Estado.
O segundo eixo é o ataque ao caixa das organizações criminosas. O candidato defende o uso de tecnologia de ponta e inteligência artificial para rastrear e mapear as atividades financeiras das facções, cortar os fluxos e as redes que sustentam suas operações e confiscar os ativos econômicos acumulados. A lógica, segundo ele, é sufocar a capacidade de financiamento do tráfico de armas e drogas.
O plano prevê ainda o aprofundamento dos investimentos em monitoramento eletrônico, com a ampliação das torres de segurança pública que operam 24 horas por dia. Instaladas na Grande Vitória e em municípios como Linhares, São Mateus, Aracruz, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, essas estruturas contribuíram, segundo Ferraço, para a captura de cerca de 900 foragidos da Justiça nos últimos 12 meses.
O candidato também sinalizou reforço na fiscalização de trânsito, diante do dado de que as mortes nas estradas superaram os homicídios dolosos no Estado, e prometeu manter a recomposição do efetivo policial e o andamento de concursos públicos, como o que está em curso para a Polícia Civil.
Como balanço da política de segurança, citou a queda da taxa de homicídios no Espírito Santo, que recuou de um patamar histórico de 58 mortes por 100 mil habitantes para 19 no fechamento de 2025.
Sistema prisional: “lugar de bandido é na cadeia”
No sistema prisional, Ferraço foi direto ao afirmar que “lugar de bandido é na cadeia”. Comparou o contingente de 26 mil presos no Espírito Santo aos 12 mil internos da Bahia — Estado de população muito superior — para sustentar que o governo ampliou a estrutura das unidades e continuará garantindo vagas.
O candidato destacou a reestruturação da Polícia Penal, que assumiu o controle do sistema prisional no lugar da Polícia Militar, e a definiu como uma das melhores do país. A proposta é manter as lideranças de facções sob custódia rígida em presídios estaduais ou transferidas para unidades federais.
Confrontado sobre o vazamento de ordens de dentro das cadeias, por meio de visitas ou de advogados, voltou a tratar a segurança como obra inacabada e comprometeu-se a seguir investindo em inteligência e fiscalização. Afirmou que, atualmente, de cada quatro presos no sistema capixaba, apenas um tem ligação com organizações criminosas.
Educação: meta de 100% em tempo integral
Na educação, o candidato colocou como meta central oferecer 100% de ensino em tempo integral na rede estadual. Relatou que o Estado saltou de 32 para 232 escolas em tempo integral, no ensino fundamental e médio, com outras 20 unidades em construção.
Ferraço acrescentou que 80% das escolas estaduais já estão climatizadas, com meta de atingir 100% até o fim de 2026. Para ele, a universalização do tempo integral é pilar estratégico, sob o argumento de que o futuro do Estado é decidido diariamente dentro das salas de aula.
GWM, qualificação e o público 40+
Na economia, o candidato defendeu a solidez fiscal do Estado e minimizou os impactos da transição da reforma tributária e das crises em empresas privadas. A aposta declarada é a chegada da montadora chinesa GWM, que se instalará em área de 1,7 milhão de metros quadrados doada pelo governo estadual, em parque logístico de Aracruz.
O início da produção de veículos híbridos e elétricos foi antecipado de 2028 para 2027, com expectativa de até 10 mil empregos diretos e retorno em arrecadação já no primeiro ano de operação. A chegada da fábrica é acompanhada de investimentos viários, incluindo obras para conectar o polo industrial de Nova Almeida ao parque logístico de Aracruz.
Para evitar gargalos de mão de obra, o governo estadual atua em parceria com a própria GWM, a Federação das Indústrias e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) na capacitação de trabalhadores locais.
Ferraço anunciou ainda a criação de uma linha específica dentro do programa estadual Qualificar voltada aos públicos 40+, 50+ e 60+. O argumento é que esses profissionais reúnem maturidade e experiência que precisam ser atualizadas diante das novas demandas econômicas, permitindo que retornem ou permaneçam ativos no mercado de trabalho e ajudando a suprir a carência de mão de obra na indústria e no comércio.


















































































