Em sabatina da Rede Gazeta, o candidato do PT ao governo do Espírito Santo detalhou propostas para mobilidade, segurança e contas públicas, defendeu o fim da escala 6×1 e afirmou que a relação com Lula abre espaço em Brasília para obras estruturantes no estado.
O candidato do PT ao governo do Espírito Santo, Hélder Salomão, apresentou nesta quinta-feira (3), em sabatina promovida pela Rede Gazeta, um conjunto de propostas que gira em torno de três eixos: mobilidade urbana metropolitana, segurança pública baseada em inteligência e tecnologia, e manutenção do rigor fiscal que garante ao estado a Nota A do Tesouro Nacional.
Ao longo da entrevista, o petista sustentou que é possível combinar expansão de políticas sociais com equilíbrio orçamentário e usou a própria experiência à frente da Prefeitura de Cariacica como credencial de gestão.
Tarifa zero gradual e estudos de BRT e VLT
Na mobilidade, a proposta de maior impacto é a implantação gradual da tarifa zero no Transcol. Salomão defende a criação de um grupo de trabalho técnico — sugestão que atribuiu ao Ministério Público de Contas do Espírito Santo — para avaliar a viabilidade econômica, financeira e extratarifária da medida.
A lógica apresentada é a de substituir progressivamente os subsídios já pagos pelo estado ao sistema de transporte da Grande Vitória, que segundo o candidato superam R$ 350 milhões por ano, transformando o transporte em direito universal de forma planejada e dentro dos limites orçamentários.
O candidato também se comprometeu a aprofundar os estudos já encomendados ao BNDES sobre transporte de alta capacidade e a implantar o que for viável durante o mandato, incluindo corredores exclusivos de ônibus (BRT) e o metrô de superfície (VLT). O financiamento viria de recursos próprios do estado, parceria com o governo federal e captação junto a organismos internacionais.
Para destravar o planejamento metropolitano, Salomão propõe um Comitê de Mobilidade Urbana Integrado, reunindo as prefeituras da Grande Vitória com apoio técnico do governo federal. Ele avalia que hoje municípios e estado não dialogam de forma adequada sobre o tema.
O trânsito entrou na mesma pauta: o candidato quer unir Detran e municípios no reforço da fiscalização e da prevenção de acidentes, com prioridade para programas de educação para o trânsito voltados a crianças em escolas, igrejas e entidades.
Segurança: quatro pilares e câmeras corporais
Na segurança pública, Salomão criticou o modelo baseado apenas no confronto e defendeu quatro pilares que, segundo ele, aparecem em toda experiência bem-sucedida: planejamento, inteligência, repressão dura ao crime organizado com uso proporcional da força e ocupação dos territórios com políticas públicas.
Esse último pilar foi apresentado como o mais importante. O candidato citou a transformação de Medellín, na Colômbia, para argumentar que operações isoladas apenas resultam em prisões ou mortes, com criminosos rapidamente substituídos, enquanto a presença permanente do Estado — educação, saúde, emprego, esporte, cultura e lazer — quebra o ciclo.
Entre os compromissos concretos está a implantação de câmeras corporais em todos os profissionais de segurança pública do estado, incluindo policiais militares, civis e penais, com gravação contínua e gestão transparente das imagens. A medida seria integrada a outras tecnologias, como reconhecimento facial, em diálogo com as forças de segurança.
Para reduzir a letalidade policial, o candidato defende ainda repensar a formação e o treinamento das corporações, aliando tecnologia, inteligência e direitos humanos. Ele resumiu a diretriz na fórmula de que quanto mais inteligência, menos violência.
Salomão também sustentou que o combate ao crime organizado precisa alcançar o que chamou de “andar de cima” — os grupos financeiros que bancam o tráfico de drogas e armas —, e não se concentrar nas periferias, onde, segundo ele, 99% dos moradores são trabalhadores.
No enfrentamento à violência contra a mulher, propôs um Pacto Estadual contra o feminicídio e a violência doméstica, articulado com municípios e governo federal e coordenado por sua candidata a vice-governadora, Valdirene.
Contas públicas: “pequenos ralos” e custeio ruim
Questionado sobre como conciliar as promessas com a Nota A do Tesouro Nacional, o candidato afirmou que o problema das finanças públicas não está nos grandes gastos, mas nos “pequenos ralos” do dia a dia da máquina.
A estratégia inclui revisão e auditoria de contratos vigentes, corte do que classificou como “custeio ruim” — o gasto que apenas sustenta a máquina administrativa, em oposição ao “custeio bom”, que mantém escolas e creches funcionando — e redução do número de cargos comissionados.
Salomão recorreu à gestão em Cariacica durante a crise de 2008 e 2009, quando, segundo relatou, cortou despesas de custeio, reduziu temporariamente pela metade o próprio salário de prefeito e repactuou cronogramas de obras com empresários para manter pagamentos em dia sem paralisar investimentos.
O objetivo declarado é que o Espírito Santo continue Nota A na gestão fiscal e passe a ser Nota A também em saúde, educação e políticas sociais.
Saúde, educação e o Conselho de Desenvolvimento
Na saúde, o candidato propõe acolhimento multiprofissional, humanizado e prioritário para a população LGBTQIAPN+ no SUS, medida que, segundo ele, busca corrigir a discriminação enfrentada por esse grupo na rede pública — sem excluir ninguém ou furar filas. O plano prevê ainda atendimento prioritário a idosos e cuidado dedicado às famílias de mães atípicas com filhos neurodivergentes.
Na educação, além da formação para o trânsito e da prevenção de violências nas escolas, Salomão quer atuar com universidades, institutos federais e a Secretaria de Ciência e Tecnologia para criar a chamada “IA Capixaba”, voltada à segurança dos dados estratégicos do estado e à redução da dependência de grandes plataformas internacionais.
O candidato também anunciou a criação de um Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, reunindo empresários, trabalhadores, governo do estado, prefeituras e entidades, com foco nos impactos da reforma tributária no Espírito Santo. A iniciativa foi apresentada sob o lema de “pensar grande e governar perto”.
Escala 6×1 e a relação com Lula
Salomão declarou apoio expresso ao fim da escala 6×1, classificando o debate como irreversível e a aprovação da mudança como fundamental para os trabalhadores brasileiros e capixabas.
Sobre a proximidade com o presidente Lula, o candidato afirmou que a relação garante espaço aberto em Brasília para projetos estruturantes. Disse já ter conversado pessoalmente com o presidente sobre recursos federais para o VLT e os corredores de BRT, e citou o Contorno do Mestre Álvaro como exemplo de obra entregue sob gestão petista.
Ele também mencionou a expansão das escolas técnicas e institutos federais no estado — de 4 para cerca de 25 unidades — e a antecipação de R$ 319 milhões em royalties do petróleo em 2003, quando o Espírito Santo enfrentava grave crise financeira.


















































































