Janety Alves, de 40 anos, mãe de três filhos, gritou por socorro antes de ser atingida no peito, no bairro Cypreste. Suspeito, que já respondia por violência doméstica contra a própria mãe, fugiu de moto e segue foragido. Foi o segundo feminicídio registrado no Norte do Estado no mesmo dia.
Uma mulher de 40 anos foi morta a tiro dentro do apartamento onde morava, no bairro Cypreste, em Montanha, no Norte do Espírito Santo, na noite desta quinta-feira (17). Janety Alves, natural da cidade, trabalhou como monitora de ônibus escolar e deixa três filhos. O caso é investigado como feminicídio, e o namorado da vítima é apontado pela Polícia Civil como o principal suspeito.
O crime aconteceu por volta das 19h. Segundo a Polícia Militar, policiais em patrulhamento foram abordados por moradores que relataram ter ouvido uma mulher gritando por socorro e, em seguida, um estampido semelhante a disparo de arma de fogo, vindo de uma residência do bairro Cypreste. Quando a guarnição chegou ao endereço, Janety já estava caída, sem vida, com um ferimento no peito.
Testemunhas contaram ainda que duas pessoas foram vistas deixando o local em uma motocicleta momentos depois do disparo — a Rede Notícia ES informou tratar-se de dois homens. Equipes das Polícias Militar e Civil fizeram buscas no imóvel e na região, mas ninguém foi detido.
A perícia da Polícia Científica esteve no local e o corpo foi encaminhado à Seção Regional de Medicina Legal (SML).
Relacionamento de três meses e passagem por Maria da Penha
O delegado Waldir Marins, titular das delegacias de polícia de Montanha e Ponto Belo, afirmou que o relacionamento entre a vítima e o suspeito era recente — cerca de três meses — e que o assassinato foi precedido de uma discussão.
O delegado informou que o homem, cujo nome não foi divulgado, já tinha registro anterior por violência doméstica, na forma da Lei Maria da Penha, tendo como vítima a própria mãe. O suspeito já foi identificado e qualificado e que um mandado de prisão era aguardado para as próximas horas.
Em nota, a Polícia Civil informou que a investigação e as diligências conduzidas pela Delegacia de Polícia de Montanha estão em andamento, que o suspeito foi identificado e que, ainda na quinta-feira, as equipes fizeram buscas sem localizá-lo. A corporação afirmou que trabalha na adoção das medidas necessárias para solicitar a prisão.
A reportagem não localizou a defesa do suspeito. O espaço segue aberto para manifestação.
Família diz que soube das agressões por vizinhos
Em entrevista a A Gazeta, a filha da vítima afirmou que só tomou conhecimento das agressões sofridas pela mãe por meio de vizinhos — Janety não falava sobre o assunto com a família. Ela relatou que, horas antes do crime, por volta das 18h30, telefonou para a mãe, que estava na casa da mãe do suspeito, e conversou com os dois. Na ocasião, segundo ela, o homem teria ameaçado matar Janety e colocá-la dentro de uma geladeira — referência ao caso de Benedita de Jesus Rodrigues, de 59 anos, encontrada morta dentro de uma geladeira em uma residência no Centro de Montanha em agosto deste ano.
Também a A Gazeta, o irmão da vítima, Paulo Pereira Medina Silva, descreveu Janety como uma pessoa alegre, trabalhadora e querida na cidade, e disse que a família ainda tenta assimilar o ocorrido. Ao g1 ES, um parente afirmou que ela era muito trabalhadora e sempre cuidou bem dos filhos.
Segundo feminicídio no Norte do ES em menos de doze horas
A morte de Janety foi o segundo feminicídio registrado na região no mesmo dia. Horas antes, na tarde de quinta-feira, uma mulher foi morta com tiros na cabeça dentro de uma residência no bairro Morumbi, em Ponto Belo. O companheiro dela, Raian Souza dos Santos, de 34 anos, foi preso e autuado em flagrante.
Segundo nota da Polícia Civil, a ocorrência foi entregue na Delegacia de Polícia de Montanha, e o suspeito foi autuado por feminicídio qualificado, roubo majorado pelo emprego de arma de fogo por duas vezes, tentativa de latrocínio e posse irregular de arma de fogo, todos em concurso material; ele permanecia sob escolta policial em hospital e, após alta médica, seria encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP). A identificação da vítima ainda apresenta divergências entre os veículos que noticiaram o caso, e por isso não é reproduzida aqui.















































































