Comboio com o primeiro suplente de Renato Casagrande, Marcelo Coelho, percorreu Ponto Belo, Mucurici, Montanha, Pinheiros e Boa Esperança, com todos os prefeitos da faixa. Somados, os municípios têm menos eleitores que Viana. A 16 dias do primeiro turno, o grosso das campanhas majoritárias está na Grande Vitória, onde vive quase metade do eleitorado do Estado.
Uma carreata percorreu na quinta-feira (17) as ruas de cinco municípios do extremo norte capixaba, com a presença de Marcelo Coelho, primeiro suplente na chapa ao Senado do ex-governador Renato Casagrande (PSB), e dos cinco prefeitos da região. O comboio saiu de Ponto Belo, passou por Mucurici, Montanha e Pinheiros e encerrou o percurso em Boa Esperança.
Participaram os prefeitos Marcos Coutinho (Ponto Belo), Adilson Ferreira, o Dica (Mucurici), Iracy Baltar (Montanha), Edilson Monteiro (Pinheiros) e Cláudio Rodrigues, o Boa Fruta (Boa Esperança).
Entre os candidatos proporcionais, o único a acompanhar o início do trajeto, em Ponto Belo, Mucurici e Montanha, foi o candidato a deputado federal Freitas.
O ato reuniu, em um único dia, os cinco chefes do Executivo Municipal de toda a faixa do extremo norte. Em números de eleitorado, porém, o conjunto é modesto. Dados do processamento desta sexta-feira (18) mostram que os cinco municípios somam 57.205 eleitores — 1,913% dos 2.990.582 capixabas aptos a votar. Ponto Belo, onde a carreata começou, tem 6.500 eleitores, ou 0,217% do total estadual: um em cada 460 eleitores do Espírito Santo.
Para efeito de comparação, o bloco inteiro — cinco prefeituras, cinco câmaras e toda a extensão territorial do extremo norte — equivale a pouco mais de um sexto do eleitorado da Serra, que sozinha tem 361.299 eleitores. Se fosse um município único, o conjunto seria o 11º maior colégio eleitoral do Estado, atrás de Aracruz e à frente de Viana.
Onde está o voto
A geografia eleitoral capixaba é fortemente concentrada. A Grande Vitória — Serra, Vila Velha, Cariacica, Vitória, Guarapari, Viana e Fundão — reúne 1.419.771 eleitores, 47,5% do Estado. São sete dos 78 municípios.
A concentração vai além da região metropolitana. Dez municípios respondem por 62,26% do eleitorado: Serra, Vila Velha, Cariacica, Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Guarapari, São Mateus, Colatina e Aracruz.
Os 68 municípios restantes dividem os outros 37,74%, com média de 16.588 eleitores cada.
É essa aritmética que explica a agenda dos candidatos ao Governo do Estado e ao Senado na reta final. A 16 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, as campanhas majoritárias concentram comícios, caminhadas e inserções nas cidades da Grande Vitória e nos grandes colégios do interior, onde cada dia de agenda alcança dezenas de milhares de eleitores.
Casagrande lidera as pesquisas para uma das duas vagas capixabas ao Senado. Levantamento Real Time Big Data divulgado em 9 de setembro apontou o ex-governador citado por 28% dos entrevistados, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número ES-01967/2026.
O cálculo do interior
A desproporção não torna a agenda no extremo norte irrelevante — muda apenas o que ela busca. Em municípios pequenos, o voto tende a ser mais estruturado por lideranças locais, e o apoio declarado de um prefeito pesa proporcionalmente mais do que em uma capital. Uma carreata que reúne os cinco prefeitos da faixa sinaliza articulação regional sem fissuras, ativo que se converte em capilaridade para a chapa majoritária inteira e, sobretudo, para os candidatos proporcionais que caminham junto.
Há também o efeito de escala do suplente. Por não disputar voto diretamente, o primeiro suplente de uma chapa ao Senado costuma ser deslocado para as praças que o cabeça de chapa não consegue cobrir — o que faz do interior o seu território natural de campanha.

















































































