O Tribunal do Júri de Montanha condenou nesta segunda-feira (21) Sérgio Ricardo Carvalhães dos Santos Marques a 33 anos e 9 meses de prisão pelo feminicídio da esposa, Gislane Pereira Barros. A sessão foi realizada no Fórum Desembargador Ayres Xavier da Penha, e o réu foi condenado por feminicídio em contexto de violência doméstica, com emprego de meio cruel. A pena deve ser cumprida inicialmente em regime fechado. A sentença é de primeira instância, e ainda cabe recurso.
De acordo com o promotor de Justiça Edilson Tigre Pereira, os jurados reconheceram a procedência da acusação ao final da sessão. O júri foi presidido pelo juiz Helthon Neves Farias.
O crime
Conforme a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu por volta das 21h27 de 9 de novembro de 2024, na casa do casal. Na época, Gislane tinha 29 anos, e o réu, 41. Segundo o MPES, os dois haviam discutido depois de uma festa, onde Sérgio teria ficado com ciúmes porque outro homem convidou a esposa para dançar.
O padrasto da vítima, Romildo Effgen, testemunhou a agressão e relatou à Polícia Militar que o casal chegou em casa discutindo. Sérgio deu um soco no rosto de Gislane e foi até a cozinha, afirmando que pegaria uma faca para matá-la. O padrasto fechou a porta, mas, sem tranca, ela foi forçada pelo agressor, que atingiu a mulher nas costas e no pescoço. Equipes do Samu constataram a morte ainda no local.
O casal tinha dois filhos, de 7 e 3 anos; o mais novo ainda era amamentado e estava dentro da casa no momento do crime.
Fuga, prisão e confissão
Após o ataque, Sérgio fugiu de bicicleta. Ele foi localizado pela Força Tática no distrito de Vinhático, confessou o crime e mostrou aos policiais onde havia descartado a faca. Na abordagem, segundo a polícia, o preso chegou a responsabilizar a própria vítima pela morte e disse aos agentes que “ela morta é mais fácil de se conformar com o fim do relacionamento”.
Ao oferecer a denúncia, o MPES apontou agravantes como o fato de a vítima ser mãe de crianças, de o crime ter sido cometido na presença do padrasto e de um filho menor, além do meio cruel e do uso de surpresa.
Histórico de ameaças
Gislane e Sérgio estavam juntos havia cerca de dez anos. Segundo a família, ela já havia sofrido agressões, chegou a se afastar do companheiro por alguns meses após ameaças que se estendiam aos parentes dela, mas ele retornou prometendo mudar de comportamento.
Cuidadora, Gislane havia conseguido um emprego pouco antes de morrer e planejava voltar a estudar pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), conforme relatou a irmã dela.
Defesa vai analisar recurso
Em nota, os advogados Dimas Damiani Júnior e Vitor Cavalheri, que representam o réu, afirmaram respeitar a decisão dos jurados e disseram que vão examinar tecnicamente a sentença e o andamento da sessão antes de decidir sobre eventuais medidas processuais.
Onde pedir ajuda
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo Ligue 180, de forma gratuita e anônima, 24 horas por dia. Em situação de emergência, acione a Polícia Militar pelo 190.

















































































