O ex-vice-prefeito de Boa Esperança, no Noroeste do Espírito Santo, Valdir Ramos Mattusoch, conhecido como Valdirim, de 67 anos, tornou-se réu em ação penal por agressão e ameaça contra a ex-companheira. O crime teria ocorrido na madrugada de 7 de setembro, após uma festa agropecuária na cidade, segundo denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a vítima relatou que foi agredida com socos no rosto e que houve tentativa de enforcamento. O caso aconteceu na residência do casal, no distrito de São José do Sobradinho, zona rural do município.
O caso
Segundo o relato da vítima aos policiais militares, ela estava na festa agropecuária na noite de 6 de setembro quando comunicou ao então marido que queria retornar para casa. Como Valdirim não concordou em sair, ela pediu a um sobrinho que a levasse até a residência.
Ao chegar em casa mais tarde, o ex-vice-prefeito teria iniciado uma discussão por descontentamento com a atitude dela. A discussão evoluiu para agressão física, conforme consta no boletim de ocorrência. A Polícia Militar foi acionada por volta das 2h31 e encontrou a vítima com lesões visíveis no rosto.
Valdirim foi preso em flagrante e conduzido à Delegacia Regional de Nova Venécia, onde foi autuado por lesão corporal e ameaça, ambos na forma da Lei Maria da Penha. No dia seguinte, após passar por audiência de custódia, ele foi liberado mediante pagamento de fiança.
Medidas protetivas
O juiz da custódia, Getter Lopes de Faria Júnior, impôs medidas protetivas de urgência para resguardar a vítima, incluindo proibição de aproximação a menos de 500 metros, proibição de contato por qualquer meio e proibição de ameaçar, intimidar ou agredir a vítima.
Na decisão, o magistrado destacou que “o comportamento do requerido trata-se de violência física e psicológica contra a vítima, causando-lhe danos emocionais e colocando em risco sua integridade psíquica. A prisão em flagrante traz indícios fortes de violência familiar praticada pelo autuado”.
Denúncia recebida
Em 20 de outubro, o juiz Ivo Nascimento Barbosa recebeu a denúncia do Ministério Público, tornando o ex-vice-prefeito réu no processo. O magistrado argumentou que há “prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria”.
O MPES informou, em nota, que ofereceu denúncia pelos crimes de lesão corporal e ameaça praticados no contexto de violência doméstica e familiar, previstos nos artigos 129, §13º, e 147, §1º, do Código Penal, com aplicação da Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha). O processo corre em segredo de justiça.
Trajetória política
Valdirim foi vice-prefeito de Boa Esperança entre 2016 e 2020, na gestão do então prefeito Lauro Vieira. Antes disso, exerceu quatro mandatos como vereador e presidiu a Câmara Municipal em dois períodos diferentes. Também atuou como prefeito interino.
Defesa nega acusações
A advogada Natália Zanotti Zampirollo, que representa o ex-vice-prefeito, informou que ele nega ter agredido ou ameaçado a ex-esposa. Segundo a defesa, o casal manteve um relacionamento de mais de 30 anos sem histórico de violência.
A versão apresentada pela defesa diverge do relato policial. Segundo a advogada, ambos estavam na feira agropecuária acompanhados de familiares e não houve discussão. A ex-esposa teria decidido ir embora mais cedo com o neto.
“Ao retornar para casa, o acusado foi recebido pela ex-companheira com socos e chutes, sendo que, durante os atos impulsivos da ex-companheira, ambos acabaram caindo da cama sobre um criado-mudo, o que teria causado escoriações em ambas as partes”, afirma a nota da defesa.
A advogada destacou ainda que Valdirim, atualmente com 68 anos, tem vida pública e reputação respeitadas, sem antecedentes criminais. “Ele sustenta que as acusações não condizem com sua trajetória e nega qualquer ato de violência”, completa a nota.
A defesa reconhece que o depoimento da vítima é suficiente para a abertura de processo e concessão de medidas de urgência, mas afirma estar trabalhando para provar a inocência do acusado.
O caso segue em tramitação na Justiça, sob segredo de justiça.


















































































