A professora de Biologia do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Rosana dos Reis Abrantes, denunciada por pais de alunos por fazer fotos e vídeos sensuais em redes sociais, foi punida pelo Comitê de Ética da instituição para retirar o conteúdo sensual das plataformas abertas, como o Instagram e o Twitter, e também a não usar o nome ”professora” nas páginas. Na plataformas fechadas, como OnlyFans e Privacy, a docente disse que vai continuar com as publicações.
“As imagens anexadas às denúncias 1 e 2 enviadas à essa Comissão sugerem que a denunciada pode ter adotado conduta não coerente com o Código de Ética Profissional do Servidor Público ao publicar fotos, em suas redes sociais “abertas”, cujo conteúdo pode ser entendido como inadequado”, informou trecho da decisão.
Expedida no dia 17 de julho, a punição, na verdade, trata-se de uma recomendação à docente para que ela “atente ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal”.
No documento, foi destacado ainda que “a dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele”.
A decisão também destacou que:
“[…] a função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia a dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional”.
Nas redes sociais, a professora também se posicionou sobre o assunto. Ela disse que essa recomendação dada pela comissão é uma forma de punição mais “branda”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/E/i/4sELqdRjyZidgvqpRAZg/publicacao-rpofessora.jpg)
O que disse a professora
Apesar de ter sido expedida em meados de julho, a professora disse que soube da decisão somente nesta segunda-feira (24), quando retornou das férias e abriu o portal do professor da instituição.
“Não gostei da punição. Vou continuar achando que é estranho quererem controlar o que eu posto nas minhas redes sociais pessoais. Não acho que deveriam regular isso. Já vi outras professoras que postam fotos de biquíni ou bebendo, além de homens que postam foto de sunga, e eu nunca vi ninguém regular ninguém”, disse.
Apesar de não concordar com a decisão, Rosane disse que vai acatar a decisão.
“Já tirei as fotos mais provocantes do Instagram e também vou tirar do Twitter. Também vou trocar o nome das páginas. Algumas fotos que eu estou de saia e calça não tirei porque não sei qual é o critério adotado. Acho que é a lingerie que não pode mostrar”, disse.
Apesar de já ter apagado algumas publicações, a professora disse que a decisão não menciona as plataformas de conteúdo adulto, como OnlyFans e Privacy. Por isso, a docente destacou vai continuar produzindo conteúdos para estas redes.
Entenda o caso
Rosana dos Reis Abrante é doutora em Biologia Animal pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), onde leciona para alunos do 3º ano do ensino médio e em turmas do ensino superior do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
A docente compartilhava fotos sensuais as abertamente nas redes sociais abertas, como Instagram e Twitter, além de fazer conteúdo para plataforma de conteúdo adulto, como o OnlyFans.
Em entrevista, a docente disse que começou a fazer conteúdo adulto depois de ver que havia um nicho para isso no Brasil.
“Eu vi que alguns professores, fora do Brasil, faziam sucesso com esse tipo de conteúdo e pensei que haveria público para isso. Algumas pessoas têm fetiche em professores, em quem leciona. Pensei: ‘ah, eu sou cientista’. Em agosto de 2022, eu decidi fazer um ensaio sensual com jaleco”, disse.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/d/a/bFptqVTneIQ1BKChkAXg/321559715-468689718758405-659451756278794469-n.jpg)
Antes de iniciar as publicações, a professora avisou as duas filhas, de 10 e de 17 anos, que produziria conteúdo sensual.
“Eu sei que essas coisas não adianta esconder e eu não queria esconder pra ninguém. Por isso, resolvi conversar antes e expliquei que faria publicações mais provocantes, sensuais, com ar de mistério. Elas entenderam. Nunca reclamaram. Desde que a página começou, minhas filhas nunca relataram exclusão, bullying, nada”, disse.
Neste ano, a professora foi denunciada por pais de alunos por fazer fotos e vídeos sensuais em redes sociais e em sites de conteúdos adultos. Os pais a denunciaram para a Comissão de Ética do Ifes.
“A Comissão de Ética Profissional do Servidor Público do Ifes teve conhecimento do caso a partir de denúncia recebida pelo sistema Fala.BR, que é o sistema de ouvidoria do governo federal. É papel do Ifes apurar todas as denúncias recebidas, seguindo os trâmites pertinentes”, informou o instituto por meio de nota na ocasião.
Desde então, o caso estava sendo analisado até a comissão chegar a essa conclusão.
O que diz o Ifes
A Comissão de Ética do Instituto Federal do Espírito Santo esclareceu que não se trata de punição, mas o resultado de uma análise de caráter educativo diante dos fatos decorrentes de denúncia recebida. “Reforçamos que esse é um processo que corre em sigilo, portanto, qualquer comunicação sobre o resultado deve ser feita entre a Comissão e a professora”, reiterou.





















































































