O cenário político do Espírito Santo foi abalado na manhã desta quinta-feira (15) com o anúncio do deputado federal Paulo Foletto (PSB) de que não buscará a reeleição no pleito de 2026. A revelação ocorreu durante um evento oficial em Colatina para a entrega de uma nova viatura ao Corpo de Bombeiros, investimento de R$ 1,3 milhão, e pegou de surpresa importantes aliados presentes na solenidade, como o prefeito Renzo Vasconcelos e o também deputado federal Da Vitória.
A decisão foi comunicada oficialmente ao presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, na quarta-feira (14), após o governador Renato Casagrande ter sido previamente informado. Foletto, médico por formação, ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados desde 2011 e está em seu quarto mandato consecutivo, consolidando-se como a principal força política da região Noroeste capixaba junto ao Governo Federal.
Em entrevista à colunista Letícia Gonçalves, de A Gazeta, o parlamentar elencou os fatores que o levaram a tomar a decisão. “Disputa eleitoral parou. Tenho 24 anos de mandatos e disputas eleitorais, nesse período tivemos muitos avanços no Espírito Santo, mas o cenário nacional me deixa desanimado, o povo está cansado e as coisas não mudam”, afirmou. “É escândalo do INSS, é Banco Master, é o Judiciário anulando a Operação Lava Jato… Vou fazer 70 anos no ano que vem e estou cansado.”
Além do desgaste com o cenário político nacional, Foletto mencionou insatisfação com questões internas do PSB. “Não fiquei muito satisfeito com a forma como estão sendo conduzidas as candidaturas, a chapa é pouco ouvida. Com quatro mandatos, contribuí muito com o partido e não recebo a valorização devida”, declarou à colunista. O deputado revelou que cogitou deixar o PSB, mas desistiu pela afinidade da base partidária com seu trabalho. “São 34 anos de filiação, não iriam nem acreditar. Então decidi ficar.”
Questões de saúde também pesaram na escolha. Foletto já foi submetido a quatro cirurgias, não tem sensibilidade na perna esquerda e enfrentou outros problemas recentemente, o que dificulta a locomoção necessária durante uma campanha eleitoral. “A última campanha (2022) já foi bastante difícil. Eu conseguiria novamente, pois sou bastante resiliente à dor, mas isso contribuiu para a minha decisão, sim”, explicou.
A saída de Foletto das urnas encerra uma era de domínio político e abre um vácuo de liderança no Noroeste capixaba. O deputado, que ocupou cargos estratégicos no estado como a Secretaria de Agricultura e é um dos nomes de maior confiança do governador Casagrande, deixa um espólio eleitoral que será intensamente disputado. Analistas apontam que a ausência de sua candidatura altera completamente as estratégias de grupos locais para 2026.
Pelas contas do próprio Foletto, o PSB precisará encontrar um substituto na chapa de candidatos a deputado federal que tenha, no mínimo, 40 mil ou 50 mil votos — tarefa árdua no cenário capixaba. O parlamentar, que integrará a comissão eleitoral da sigla apenas nos bastidores, afirmou que ajudará o partido a encontrar uma solução.
Em Colatina, onde possui forte base eleitoral, Foletto pretende apoiar a candidatura do vereador Claudinei Costa (PSB) para deputado estadual. “Vou apoiar também a eleição do Renato ao Senado e do Ricardo Ferraço ao governo. Não vou sumir”, garantiu. “Mas a ideia é eu, pessoalmente, não disputar mais nada, a não ser que aconteça uma hecatombe no futuro. Tratei disso com minha família no Natal, meus filhos ficaram felizes.”
A decisão de priorizar o bem-estar pessoal e familiar em detrimento da manutenção do poder humaniza o debate público, mas traz incertezas sobre quem herdará a responsabilidade de representar os interesses do Noroeste capixaba com o mesmo vigor institucional que marcou a trajetória de Paulo Foletto nos últimos 15 anos em Brasília.



















































































