Morreu na noite deste domingo (18) o ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann, aos 77 anos, vítima de câncer no pâncreas. Ele estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, após ter retornado à unidade hospitalar no último fim de semana. Jungmann havia recebido alta recentemente para seguir em cuidados paliativos em casa, mas seu quadro de saúde se agravou.
Natural do Recife, Raul Jungmann construiu uma trajetória política singular que atravessou mais de quatro décadas e diferentes espectros ideológicos. Iniciou sua militância ainda jovem no Partido Comunista Brasileiro (PCB), quando a legenda atuava na clandestinidade durante a ditadura militar. Posteriormente, foi um dos articuladores da fundação do Partido Popular Socialista (PPS), sigla pela qual exerceu três mandatos como deputado federal por Pernambuco entre 2003 e 2018.
Na Esplanada dos Ministérios, Jungmann ocupou cargos de primeiro escalão em gestões distintas. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, comandou os ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias, destacando-se na condução da reforma agrária. Na gestão de Michel Temer, assumiu a pasta da Defesa e, em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil, cargo criado especialmente para estruturar o combate ao crime organizado em nível federal e que seria extinto no governo seguinte.
Reconhecido por sua capacidade de articulação e pelo trânsito entre diferentes campos políticos, Jungmann também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e, desde março de 2022, comandava o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que representa mais de 300 associados responsáveis por 85% da produção mineral do país.
Em comunicado divulgado neste domingo, o Ibram informou que o velório será realizado em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos. “Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética”, registrou a nota oficial, que não detalhou data e horário do sepultamento.
Sua morte encerra a trajetória de um dos personagens mais complexos da política brasileira recente — um operador experiente dos bastidores do poder que desafiou classificações fáceis e manteve diálogo com atores de diferentes posições ideológicas sem abandonar suas convicções, deixando marcas importantes em áreas como defesa, segurança pública e desenvolvimento agrário.



















































































