Seis pessoas, incluindo quatro policiais militares, suspeitos de integrarem e manter uma milícia na Grande Vitória tiveram a prisão mantida pela Justiça. Eles foram presos desde o dia 13 de maio. A decisão, de autoria da juíza Regina Savergini Bissoli Lage, foi tomada nesta segunda-feira (17).
De acordo com uma denúncia do Ministério Público do Espírito Santo, aceita pela Justiça em julho deste ano, entre os crimes cometidos pelo grupo está um assassinato ocorrido em fevereiro deste ano, em Vitória. O crime aconteceu na praça do bairro Itararé e a vítima foi atingida com pelo menos 15 tiros.
Na decisão que manteve o grupo preso, a magistrada destacou a impossibilidade de fixar outras medidas cautelares como base para a manutenção das detenções.
“Deve-se destacar que não vislumbro a possibilidade de fixação de medidas cautelares diversas da prisão, diante da gravidade em concreto dos fatos narrados nos autos, motivo pelo qual necessária a manutenção da segregação cautelar dos acusados para assegurar a lisura dos testigos da primeira fase do procedimento do júri e para garantia da ordem pública. Isto posto, mantenho a prisão preventiva já decretada nestes autos”, afirmou a juíza.
MP faz operação em Vila Velha
Os seis suspeitos foram presos em operação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) no dia 13 de maio na Operação La Liga. Os agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão.
Todos eles viraram réus em julho por suspeita de atuação em milícia na Grande Vitória. No documento o MPES informa que o grupo fazia “incursões ilícitas” na região, “com propósito de cometer crimes e ilegalidades”.
Para dificultar a identificação da organização, os membros utilizavam armas e placas frias, além de radiocomunicadores, a fim de evitar comunicações que pudessem ser interceptadas, e de outras estratégias.
Quem são os denunciados
Cabo Ronniery Vieira Peruggia: acusado de integrar e manter organização paramilitar; milícia particular; homicídio; adulteração de sinal identificador de veículo (uso de placa fria). Está preso no quartel da Polícia Militar, em Vitória.
Cabo José Moreno Valle da Silva (vulgo “Moreno”): acusado de integrar e manter organização paramilitar; milícia particular, e homicídio. Está preso no quartel da PM, em Vitória.
Cabo Welquerson Cunha de Moraes (vulgo “Moraes”): acusado de integrar e manter organização paramilitar; milícia particular; homicídio; adulteração de sinal identificador de veículo (uso de placa fria). Está preso no quartel da PM, em Vitória.
Soldado Josemar Fonseca Lima (vulgo “Baiano”): acusado de integrar e manter organização paramilitar; milícia particular.
Walace Luiz dos Santos Souza: acusado de integrar e manter organização paramilitar; milícia particular; homicídio, e porte ilegal de arma de fogo. Está preso na Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana.
Glaydson Alvarenga Soares (vulgo “Pajé”): acusado de integrar e manter organização paramilitar; milícia particular; homicídio, e porte ilegal de arma de fogo. Está detido na Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana.
A Polícia Militar informou que a situação segue a mesma de julho: três policiais continuam presos no quartel da corporação, enquanto Josemar permanece em liberdade, tendo que respeitar medidas cautelares.
O advogado Carlos Antônio Tavares faz a defesa do cabo Ronniery Vieira Peruggia, em nota, afirmou que não apresentou requerimento e não foi foram intimados sobre a decisão.
Acrescenta, ainda, que mantém a “posição de que a prisão está eivada de vícios e fundamentada em possibilidades abstratas, sem qualquer ato ou fato concreto que possa corroborar com a narrativa do MP. Somente de que o que temos, além do linchamento público de profissionais de conduta exemplar com centenas de elogios, decisões que nos remetem ao estado de exceção, em virtude do pré julgamento. Enquanto os criminosos andam soltos cometendo barbáries, a polícia é encarcerada.”
Caio Guerra Gurgel, que faz a defesa de Walace Luiz dos Santos Souza, informa que seu cliente permanece detido e que ele nega a participação em milícia ou grupo paramilitar. “Ele é um estudante de Direito, não é policial”, relata. Informou ainda que não poderia informar mais detalhes para não atrapalhar a linha defensiva.



















































































