A Polícia Civil do Espírito Santo confirmou que o corpo encontrado em avançado estado de decomposição em um sítio na região de Meaípe, em Guarapari, é de Dante de Brito Michelini, conhecido como “Dantinho”, de 76 anos. A identificação oficial foi realizada pelo Departamento de Identificação (DEI) da Polícia Científica, por meio de exame papiloscópico, no Instituto Médico Legal (IML) de Vitória.
O corpo foi localizado na última terça-feira (3) por uma funcionária que, ao não conseguir contato com Michelini, foi até a propriedade e encontrou a casa com janelas quebradas e paredes destruídas. A vítima estava decapitada e carbonizada. Segundo informações preliminares, Dante estava desaparecido desde 7 de janeiro.
Dante de Brito Michelini pertencia a uma das famílias mais tradicionais e influentes do Espírito Santo. Seu avô, Dante Michelini, empresário mineiro que se estabeleceu no estado em 1944 e foi pioneiro na exportação de café, dá nome a uma das principais avenidas da orla de Vitória.
Vida reclusa
Segundo o advogado da família, Adir Rodrigues Silva Junior, a vítima vivia de forma reclusa e isolada no sítio em Meaípe desde a morte de seu pai, Dante de Barros Michelini. A defesa informou que um dos irmãos mantinha contato telefônico com “Dantinho”, mas que não havia conhecimento de qualquer ameaça contra ele. “Vamos agora acompanhar as investigações para saber o que pode ter motivado um crime como esse”, declarou o advogado.
Caso Araceli
A morte de Dante Michelini reacendeu a memória de um dos casos mais emblemáticos da história criminal brasileira. Em 1973, ele foi um dos três acusados no processo sobre o rapto e morte da menina Araceli Cabrera Crespo, de 8 anos, ocorrido em 18 de maio daquele ano em Vitória.
Araceli desapareceu após sair da escola na Praia do Suá. Seu corpo foi encontrado seis dias depois com marcas de violência sexual em um matagal próximo ao Hospital Infantil de Vitória. Além de “Dantinho”, foram acusados seu pai, Dante de Barros Michelini, e Paulo Constanteen Helal.
Em 1980, os três chegaram a ser condenados em primeiro julgamento. Contudo, a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Após novo processo que se estendeu por anos, uma sentença definitiva em 1991 absolviu os réus por falta de provas materiais, atribuída a problemas na fase de investigação policial. O crime prescreveu em 1993 sem que ninguém fosse punido.
Repercussão
Em entrevista, Carlos Cabrera Crespo, irmão da menina assassinada, comentou a morte de Dante Michelini. “A justiça dos homens falhou, mas eu sempre soube que a justiça divina tarda mas não falha. Só queria que meus pais estivessem vivos para ver que Deus não falhou”, declarou.
Devido à repercussão e impunidade do caso, a data do desaparecimento de Araceli, 18 de maio, foi instituída pela Lei Federal 9.970/2000 como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
As causas da morte de Dante Michelini ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil. O laudo pericial completo deve ser concluído em até 10 dias, podendo se estender por até 90 dias caso sejam necessários exames mais complexos.



















































































