A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) em Roma, na Itália, confirmou o Ministério da Justiça brasileiro. A prisão ocorreu após o deputado italiano Angelo Bonelli denunciar o paradeiro de Zambelli às autoridades locais, encerrando dois meses de fuga da ex-parlamentar brasileira.
Zambelli estava foragida desde 5 de junho, quando o STF decretou sua prisão preventiva, posteriormente convertida em definitiva. Seu nome constava na lista de procurados da Interpol, e ela havia se refugiado na Europa alegando ter cidadania italiana.
Denúncia de Deputado Italiano
O parlamentar italiano Angelo Bonelli foi responsável por localizar e denunciar o paradeiro de Zambelli. Em postagem no X (antigo Twitter) às 16h45, Bonelli revelou que a ex-deputada brasileira estava em um apartamento em Roma e que havia comunicado imediatamente a polícia italiana.
“Eu informei a polícia nacional italiana sobre o endereço e depois eu informei a chefia da polícia italiana. Eu fiz uma interpelação, porque quando escutei a Carla Zambelli dizendo que tem cidadania italiana e que estava intocável, eu disse ‘não é possível que uma pessoa pode falar assim'”, declarou Bonelli em entrevista à GloboNews.
Condenação por Crimes Cibernéticos
Fuga e Inclusão na Lista da Interpol
Duas semanas após ser condenada unanimemente pela Primeira Turma do STF em maio, Zambelli deixou o Brasil para fixar residência na Europa. Em entrevista concedida no início de junho, a deputada revelou ter cidadania italiana e afirmou que escolheu a Europa para “não poder ser mandada de volta ao Brasil”.
A fuga da parlamentar motivou a PGR a solicitar medidas urgentes ao STF, que foram prontamente atendidas por Moraes. Entre as determinações estão:
- Inclusão do nome de Zambelli na difusão vermelha da Interpol
- Bloqueio de todas as contas bancárias e bens da deputada
- Suspensão dos passaportes (comum e diplomático)
- Bloqueio das redes sociais com multa de R$ 100 mil às plataformas em caso de descumprimento
- Sequestro de salários e verbas de gabinete para quitação das multas
Perda do Mandato e Múltiplas Condenações
Além da prisão, o STF determinou a perda do mandato parlamentar de Zambelli, cuja documentação já foi encaminhada à Câmara dos Deputados para formalização da cassação. A decisão também torna a ex-deputada inelegível por oito anos, conforme a Lei da Ficha Limpa.
Walter Delgatti Netto, o hacker que executou a invasão, foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão no mesmo processo. Ambos devem pagar conjuntamente R$ 2 milhões em indenização por danos morais coletivos.
O caso representa um marco na jurisprudência brasileira sobre crimes cibernéticos contra instituições democráticas. Segundo a PGR, as ações de Zambelli visavam “desestabilizar o Poder Judiciário, gerar repercussão midiática e alimentar narrativas políticas” antidemocráticas.
Outros Processos em Andamento
Paralelamente ao caso do CNJ, Zambelli responde a outro processo criminal no STF. A ex-deputada foi denunciada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal após perseguir o jornalista Luan Araújo com uma arma em punho na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo. Neste processo, o Supremo já formou maioria para condená-la a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto.
Próximos Passos: Extradição
Com a prisão confirmada, o Brasil agora deve formalizar o pedido de extradição de Zambelli através dos canais diplomáticos. A ex-deputada, que havia se vangloriado publicamente de estar “intocável” na Itália devido à sua cidadania italiana, descobriu que os acordos internacionais de cooperação judicial podem superar essa proteção em casos de crimes graves.
O caso representa um marco importante na cooperação internacional contra a impunidade e demonstra que mesmo autoridades que fogem do país após condenações podem ser alcançadas pela Justiça através da colaboração entre nações.




















































































