“Chama o Naldinho”: auxiliar de enfermagem com 25 anos de dedicação é homenageado pela Câmara de Montanha
Ednaldo Neri de Oliveira, o Naldinho, recebeu moção de congratulação em sessão solene que reuniu autoridades, colegas e familiares para celebrar uma trajetória marcada pela humanidade, pela ausência de horários e pela disposição de atender pacientes — mesmo durante o sepultamento da própria mãe.

Há mais de 25 anos, os moradores de Montanha conhecem bem a frase que ecoa em momentos de desespero: “Chama o Naldinho.” É com ela que famílias de pacientes em sofrimento mental ou acidentados ortopédicos encontram alívio quando não sabem mais o que fazer. O auxiliar de enfermagem Ednaldo Neri de Oliveira, carinhosamente apelidado de Naldinho — e também de Jabuti, ou Jabutizinho de todos —, foi homenageado no dia de hoje (12), Dia Internacional da Enfermagem, em sessão solene promovida pela Câmara Municipal de Montanha, com entrega de moção de congratulação pelo reconhecimento de seus relevantes serviços à saúde pública municipal.
A cerimônia, proposta pelo vereador Tarcísio Depolo, foi uma iniciativa da secretária Municipal de Saúde, Leila Baltar, em harmonia com a prefeita Iracy Baltar. O evento reuniu autoridades, colegas de profissão e familiares para celebrar uma trajetória que vai muito além das atribuições técnicas de um auxiliar de enfermagem. Mensagens em vídeo enviadas pela psiquiatra Dra. Andreia e pela psicóloga Dra. Glícia completaram um painel de homenagens que revelou, um por um, os contornos de uma vocação incomum.
“Mesmo que juntássemos toda a equipe, cinco ou seis pessoas, não conseguiríamos substituir o que um único Naldinho representa para o serviço.”
Dr. Artur Boldrini, médico da equipe de saúde mental de Montanha
O relato mais emocionante da sessão veio da vereadora Célia Rodrigues de Souza, que narrou o momento em que Naldinho, durante o sepultamento da própria mãe, deixou o cemitério para atender um paciente em crise mental que apareceu desesperado pedindo sua ajuda. O episódio sintetizou, para os presentes, o que os colegas de trabalho já sabiam há anos: para Naldinho, o cuidado não tem horário marcado.
A secretária municipal de saúde, Leila Baltar — carinhosamente chamada por ele de “mãezona” —, descreveu a sensibilidade de Naldinho como algo raro: a capacidade de não enxergar o surto, mas o ser humano fragilizado por trás dele. “Os pacientes muitas vezes só se acalmam com a chegada dele”, afirmou. A Dra. Andreia, psiquiatra que trabalhou ao seu lado por muitos anos, foi ainda mais direta: “Em Montanha, saúde mental é igual Naldinho.”
A psicóloga Dra. Glícia, com 28 anos de atuação no município, definiu o colega como um “patrimônio de Montanha” e destacou sua capacidade de entrega total ao trabalho sem esperar nada em troca. O vereador Paulo César reforçou que Naldinho nunca buscou “moedas de troca” políticas: mesmo em domingos de futebol, é constantemente procurado para atender casos de ortopedia e saúde mental, e nunca reclama.
“Falar em saúde é falar em amor. É puro amor.”
Ednaldo Neri de Oliveira, em seu discurso de agradecimento
Em seu discurso de agradecimento, Naldinho demonstrou a mesma humildade que seus colegas descrevem no dia a dia. Atribuiu tudo a Deus, agradeceu à esposa Emanuela pelo apoio constante e às orações que ela faz quando ele chega em casa sobrecarregado, e chamou os colegas de equipe — Lília, Flávia, Artur, Gilda, Andreia e Renata — de sua verdadeira família. Ao final, quebrou o protocolo para liderar uma oração coletiva pelas autoridades presentes, pedindo sabedoria para a gestão do município.
O presidente da Câmara, vereador Adivaldo Rodrigues de Souza, encerrou a sessão com uma advertência que resume o desafio que virá: “Será muito difícil encontrar um substituto à altura para o trabalho que ele realiza diariamente.” Por ora, enquanto Naldinho estiver disponível, a frase continuará ecoando pelas ruas e madrugadas de Montanha — “Chama o Naldinho” —, e ele continuará atendendo.




















































































