O compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal morreu na noite deste sábado (13), aos 89 anos, no Hospital Samaritano Barra, no Rio de Janeiro. O falecimento foi confirmado pela família e equipe do artista através das redes sociais, às 20h22.
Segundo nota oficial do hospital, Hermeto estava internado desde 30 de agosto para tratamento de complicações respiratórias derivadas de um quadro avançado de fibrose pulmonar. “A despeito de todo suporte terapêutico, o quadro se agravou nas últimas horas, evoluindo para falência múltipla dos órgãos”, informou a unidade médica.
A morte do alagoano marca o fim de uma das trajetórias mais singulares da música brasileira. Conhecido mundialmente como o “Bruxo dos Sons”, Hermeto tinha a capacidade única de transformar qualquer objeto cotidiano – de chaleiras e brinquedos infantis a sons de animais – em instrumentos musicais, criando melodias que encantaram plateias no Brasil e no exterior.
Um gênio da música universal
Nascido em Lagoa da Canoa, então distrito de Arapiraca, em Alagoas, em 1936, Hermeto Pascoal era portador de albinismo e estrabismo, condições que o impediram de trabalhar na roça desde a infância, direcionando-o naturalmente para a música. Sua prolífica produção musical é estimada em milhares de composições.
O reconhecimento internacional veio através de colaborações com ícones do jazz como Miles Davis, que o chamou de “o músico mais impressionante do mundo”. Hermeto fundou o lendário Quarteto Novo e conquistou três Grammys Latinos ao longo de sua carreira.
Sua genialidade foi reconhecida pela prestigiada Juilliard School, de Nova York, que lhe concedeu o título de doutor honoris causa em 2023. Também recebeu a mesma honraria das universidades federais da Paraíba e de Alagoas. Em 2024, ganhou sua primeira biografia oficial, “Quebra tudo! – A arte livre de Hermeto Pascoal”, escrita pelo jornalista Vitor Nuzzi.
Ativo até o fim
Mesmo perto dos 90 anos, Hermeto seguia em turnês. Entre julho e agosto deste ano, realizou nove apresentações na Europa. No Brasil, seu último show aconteceu em junho, no Circo Voador, que se transformou numa grande festa de aniversário.
“Quando subo no palco, não tenho idade. O corpo pode ser de 88, mas a alma vira menino de novo. A música é a vida”, disse em entrevista recente ao jornal O Globo.
Neste sábado, ele teria uma apresentação agendada no festival AcessaBH, em Belo Horizonte, que foi cancelada na terça-feira (10) por “motivos de saúde”.
Uma despedida musical
O comunicado da família traz uma poética que reflete o espírito do próprio Hermeto: “Com serenidade e amor, comunicamos que Hermeto Pascoal fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música. No exato momento da passagem, seu Grupo estava no palco, como ele gostaria: fazendo som e música.”
A mensagem continua com os ensinamentos que o músico sempre compartilhou: “Como ele sempre nos ensinou, não deixemos a tristeza tomar conta: escutemos o vento, o canto dos pássaros, o copo d’água, a cachoeira, a música universal segue viva.”
Hermeto Pascoal deixa seis filhos, 13 netos e dez bisnetos. Em 2024, lançou seu último álbum de composições inéditas, “Pra você, Ilza”, uma declaração de amor à sua companheira por 46 anos, morta em 2000.
A família pede respeito e privacidade neste momento, sugerindo que aqueles que desejam homenageá-lo “deixem soar uma nota no instrumento, na voz, na chaleira e ofereçam ao universo. É assim que ele gostaria.”
Informações sobre despedidas públicas serão divulgadas pelos canais oficiais do artista.




















































































