Em sua primeira bênção “urbi et orbi” como líder da Igreja Católica, o papa Leão XIV emocionou-se ao agradecer seu antecessor, o papa Francisco, e pediu paz para o mundo. “Deus ama a todos, e o mal não vai prevalecer. Todos estamos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos de mãos dadas com o Deus que está entre nós”, declarou o pontífice em sua primeira aparição aos fiéis na sacada da Basílica de São Pedro.
Robert Francis Prevost, 69 anos, foi eleito no conclave após quatro escrutínios, tornando-se o primeiro norte-americano a ocupar o trono de São Pedro e o papa mais jovem desde João Paulo II, que assumiu o cargo aos 58 anos em 1978.
Nascido em Chicago, Prevost é poliglota e tem dupla nacionalidade, sendo também cidadão naturalizado peruano. Durante seu discurso, fez questão de destacar sua ligação com a América Latina, dirigindo-se em espanhol aos fiéis de Chiclayo, no Peru, onde serviu como bispo: “Uma saudação à diocese de Chiclayo, no Peru, onde um povo fiel acompanhou seu bispo, compartilhou sua fé e deu muito para ser a igreja fiel de Jesus Cristo.”
O novo papa deu sinais de continuidade ao trabalho de Francisco, enfatizando a necessidade de uma igreja missionária. “Todos podemos caminhar juntos na direção daquela pátria a qual Deus nos preparou. À igreja de Roma, uma saudação especial. Necessitamos sermos juntos uma igreja missionária, que constrói pontes e diálogos, prontos para receber de braços abertos, todos que precisam de caridade, presença, diálogo e amor”, afirmou.
Antes de ser eleito papa, Prevost ocupava desde 2023 o cargo de prefeito do Dicastério para os Bispos, órgão encarregado de nomear bispos em todo o mundo. Formado em matemática, foi ordenado padre aos 22 anos e passou dois terços de sua vida entre a Europa e a América Latina.
Conhecido por seu estilo reservado e discreto, Prevost é descrito por apoiadores como um “meio-termo digno” – semelhante a Francisco em seu compromisso com os pobres e migrantes, mas com posições mais conservadoras em questões de diversidade de gênero. Em 2012, criticou o que chamou de “estilo de vida homossexual” e se opôs à inclusão de conteúdos sobre gênero nas escolas peruanas.
O padre Michele Falcone, da Ordem de Santo Agostinho, que já foi liderada por Prevost, destaca que o novo papa “não tem excessos” em seu estilo: “Abençoa bebês, mas não os pega no colo.” Já seus apoiadores esperam que ele continue o processo consultivo iniciado por Francisco, envolvendo leigos nas decisões da Igreja.
A eleição de Leão XIV ocorreu enquanto diferentes setores da Igreja debatiam se deveriam seguir a agenda inclusiva do papa Francisco ou retornar a uma linha doutrinária mais conservadora, com o novo pontífice sendo apresentado como uma alternativa equilibrada entre os papáveis.




















































































