Na manhã desta quarta-feira (7), a Basílica de São Pedro foi palco da solene Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, que marca oficialmente o início do processo de eleição do novo Papa. Presidida pelo Cardeal Decano Giovanni Battista Re, a celebração preparou espiritualmente o Colégio Cardinalício para a importante missão de escolher o sucessor de Pedro.
“Estamos aqui para invocar a ajuda do Espírito Santo, para implorar sua luz e sua força, a fim de que seja eleito o Papa de que a Igreja e a humanidade precisam neste momento tão difícil e complexo da história”, declarou o Cardeal Re em sua homilia, ressaltando a gravidade da responsabilidade confiada aos cardeais eleitores.
Quando os 133 cardeais atravessarem o saguão que dá acesso à Capela Sistina, apelarão, em latim, para que o Espírito Santo esteja presente e os ajude na escolha do novo líder da Igreja Católica. Apesar de usarem todos rigorosamente a mesma batina, cada um levará para a sala onde está o Julgamento Final, de Michelangelo, uma história radicalmente diferente, num conclave que jamais foi tão diverso e global.
Pela primeira vez nos mais de dois mil anos de história do cristianismo, a Igreja organizará a escolha de um papa com votos de representantes de mais de 70 países. Resultado de uma nomeação em massa de homens vindos do “fim do mundo”, o Colégio de Cardeais buscará um nome para conduzir a instituição num momento de encruzilhada: ou manter as reformas iniciadas por Francisco ou retomar uma postura mais conservadora, apaziguando alas descontentes com uma suposta flexibilização dos dogmas da Igreja.
O cardeal Re destacou em sua homilia a importância da comunhão e unidade na diversidade: “Entre as tarefas de cada Sucessor de Pedro está a de promover a comunhão: comunhão de todos os cristãos com Cristo, dos bispos com o Papa, e entre os próprios bispos. Não uma comunhão autorreferencial, mas totalmente orientada para a união entre as pessoas, os povos e as culturas.”
A eleição ocorrerá na histórica Capela Sistina, onde, como lembrou o Decano, “tudo concorre para avivar a consciência da presença de Deus, diante do qual deverá cada um apresentar-se um dia para ser julgado”. Ele ainda evocou as palavras do Papa São João Paulo II: “Nas horas da grande decisão através do voto, a imagem imponente de Cristo Juiz, pintada por Michelangelo, lembrará a cada um a grande responsabilidade de colocar as ‘chaves supremas’ nas mãos certas.”
O conclave acontece em um momento crucial para a Igreja Católica mundial, que enfrenta desafios em diversas frentes. “O mundo de hoje espera muito da Igreja para a salvaguarda daqueles valores fundamentais — humanos e espirituais — sem os quais a convivência humana nem será melhor nem beneficiará as gerações futuras”, concluiu o Cardeal Re.
O resultado da eleição é aguardado com expectativa pelos fiéis reunidos na Praça São Pedro e por católicos de todo o mundo, que acompanham atentamente este momento histórico para a Igreja.



















































































