
A escola estadual Primo Bitti, em Aracruz, reabriu as portas na manhã desta quarta-feira (14). A escola estava fechada desde o dia do ataque a dois colégios no bairro que deixou quatro mortos em 25 de novembro.
A reabertura foi feita apenas para que a comunidade volte a ocupar o espaço escolar, a partir da promoção de atividades culturais e esportivas no local. As aulas presenciais na escola foram encerradas no ano letivo de 2022.
Diálogo
Cerca de 60 pessoas se reuniram na reabertura. Oficinas e rodas de conversa estão sendo realizadas para atender os alunos e profissionais da escola
“A gente compreende que a escola é espaço de acolhimento. Então todos os aspectos que envolvem o aluno tem que ser compreendidos dentro desse espaço. Especificamente aqui na Primo Bitti, após o ocorrido, a Secretaria de Educação se reuniu, então desde semana passada estamos em diálogo com o Conselho de Escola, acolhemos os professores em um outro espaço e construimos com eles como ia ser essa semana de retorno a esse espaço” explicou Priscila Nascimento, coordenadora da Ação Psicosocial Escolar.
A coordenadora disse que toda a programação na escola durante essa semana foi feita junto com os alunos e funcionários.
“Conversamos com os representantes dos estudantes e perguntamos o que eles queriam que tivesse hoje, que é o dia deles voltarem. A nossa programação é que tenha a roda de conversa, de acolhimento, espaço para falar sobre as emoções, o sentimento. E depois, a gente tem oficinas que são mais interativas, como a de grafite, esporte, pra eles irem retomando esse espaço que é deles, de uma maneira leve, se é que é possível”, contou a coordenadora.
A escola vai permanecer aberta com atividades durante toda a semana, para depois a volta do ano letivo de 2023 começar a ser discutida.
“A gente encerra as atividades essa semana e já dá andamento para a nova fase, o planejamento de continuar acompanhando essa escola, acolhendo essas pessoas e preparando essa escola para o início do ano letivo. O acompanhamento vai ser constante ao longo dos próximos anos” afirmou a coordenadora.
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A escola está fechada desde o dia 25 de novembro, quando foi invadida por um assassino que promoveu ataques em duas escolas do bairro Coqueiral e matou quatro pessoas e deixou outras 12 feridas.
O assassino é um atirador de 16 anos que estudou até junho deste ano em uma das escolas atacadas. Ele foi apreendido horas após o crime.
De acordo com a Sedu, a reabertura da escola “foi pensada para promover o reencontro e fortalecer a conexão entre estudantes, professores e funcionários”.
Diante da tragédia ocorrida, e entendendo que algumas pessoas podem não se sentir bem ao revisitar o espaço, não haverá obrigatoriedade da participação de alunos ou funcionários retornem à escola neste momento.
Profissionais da psicologia estarão no local para atender os estudantes. Segundo a Sedu, a segurança na unidade será reforçada. A Sedu também vai disponibilizar transporte escolar aos estudantes, pais e responsáveis que quiserem participar da programação.
Conforme anunciado anteriormente pela sala de situação criada pelo governo do estado para lidar com as consequências do ataque, a escola Primo Bitti foi reformada para reparar os danos físicos provocados pelo atentado.
Na segunda-feira (12), a Sedu realizou uma reunião de acolhimento com os pais e responsáveis pelos estudantes da escola Primo Bitti. Na ocasião, foram apresentadas as mudanças na estrutura física da unidade e as ações culturais e esportivas que serão promovidas na escola.
“O que aconteceu aqui poderia ter acontecido em qualquer lugar. A primeira reação de todos é saber se este é um lugar seguro. Temos uma escola para a qual precisamos voltar. Para muitos aqui, a escola é como a nossa casa. E a nossa casa foi violada. Mas temos que voltar para casa. Estamos buscando, juntos, caminhos para voltar. Temos que ressignificar este espaço. Por isso, temos implementado diversas ações”, disse o secretário de Educação Vitor de Angelo.
Três feridos seguem internados
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Até a manhã desta quarta, três vítimas do atentado seguiam hospitalizadas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, uma professora de 51 anos permanecia em estado de saúde estável na enfermaria.
Já a professora Degina Rodolfo de Oliveira, de 37 anos, também seguia em estado de saúde estável, porém na unidade semi-intensiva. As duas deram entrada no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra, no mesmo dia do ataque.
Até a última atualização, apurada pelo g1, a aluna Thais Pessotti da Silva, de 14 anos, seguia internada em um hospital particular. A adolescente foi baleada na cabeça.
O ataque
No dia 25 de novembro, um ataque a duas escolas deixou quatro mortos e outros 12 feridos em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. A investigação apontou que o ataque foi planejado por dois anos e por um assassino de 16 anos que estudou até junho no colégio estadual atacado. O criminoso usou duas armas do pai, um policial militar.
Os disparos aconteceram por volta das 9h30 na Escola Estadual Primo Bitti e em uma escola particular que fica na mesma via, em Praia de Coqueiral, a 22 km do centro do município. Aracruz, onde o ataque aconteceu, fica a 85 km ao norte da capital.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o assassino invadiu a escola estadual com uma pistola e fez vários disparos assim que entrou no estabelecimento de ensino. Depois, foi até a sala dos professores e fez novos disparos. Na unidade, duas professoras foram mortas.
Na sequência, o atirador deixou o local em um carro e seguiu para a escola particular Centro Educacional Praia de Coqueiral, que fica na região. Na unidade, uma aluna foi morta. Após o segundo ataque, o assassino fugiu em um carro. Ele foi apreendido ainda na tarde de sexta.
No sábado (26), a Polícia Civil informou que o criminoso vai responder por ato infracional análogo a três homicídios e a 10 tentativas de homicídio qualificadas. Também no sábado, uma professora baleada que estava internada morreu.



















































































