Indicação de Eliane Leal para compor a chapa majoritária do Republicanos foi selada horas antes do fim do prazo de registro de candidaturas e reacende atritos internos na coligação que sustenta a candidatura do ex-prefeito de Vitória ao governo do Estado

Às vésperas do encerramento do prazo para o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) definiu o nome que completará sua chapa na disputa pelo governo do Espírito Santo. A escolhida foi a policial militar da reserva Eliane Leal, filiada ao Partido Liberal (PL), cuja indicação partiu diretamente do senador Magno Malta, presidente da sigla no Estado.
A definição encerra um dos capítulos mais disputados da montagem da candidatura de Pazolini. Desde a convenção estadual do Republicanos, realizada em 4 de agosto, o partido havia oficializado o nome do ex-prefeito para o Palácio Anchieta e o do deputado federal Evair de Melo para o Senado, mas deixou em aberto a vaga de vice, então tratada como moeda de troca nas negociações com os partidos aliados — PL, Democrata e Novo.
PL condicionou apoio a espaço na chapa
O apoio do PL à candidatura de Pazolini já vinha carregado de exigências. Além do aceno ao presidenciável Flávio Bolsonaro e do compromisso com pautas identificadas ao bolsonarismo, a sigla presidida por Magno Malta havia reservado para a filha do senador, a publicitária Maguinha Malta, a primeira vaga ao Senado dentro do bloco governista. Definidas as candidaturas ao Senado e as suplências por articulação direta do PL, a vice-governança era a última posição de destaque em disputa no palanque — e também acabou destinada à sigla.
A escolha de Eliane Leal não passou incólume entre os demais aliados. Segundo apuração de bastidores, partidos que embarcaram na candidatura de Pazolini desde o início — caso do Democrata — reclamam de terem sido preteridos nas negociações mais relevantes da coligação, com decisões tomadas sem rodadas efetivas de diálogo. A insatisfação chegou a gerar sinalizações de que a legenda avaliaria até romper com o projeto e buscar interlocução com candidaturas rivais, casos de Ricardo Ferraço (MDB) e Helder Salomão (PT).
Disputa polarizada
A chapa de Pazolini chega à reta final do prazo de registro em posição de destaque nas pesquisas divulgadas ao longo do ano, aparecendo à frente do atual vice-governador Ricardo Ferraço em cenários de primeiro e segundo turno. A eleição para o governo do Espírito Santo ocorre em turno único, em 4 de outubro, junto com a disputa por duas vagas ao Senado, dez cadeiras na Câmara dos Deputados e as vagas na Assembleia Legislativa, para um mandato que vai de janeiro de 2027 a janeiro de 2031.
Também estiveram no palanque da confirmação da candidatura de Pazolini o articulador e presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e o presidente da Câmara de Vitória, Anderson Goggi, entre outras lideranças do partido e da coligação.

















































































