A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, voltou a ser alvo de ofensas de parlamentares durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (2). Em resposta aos ataques, a ministra afirmou que se sentiu “terrivelmente agredida” e que pediu “muita calma” em oração a Deus antes da sessão.
O deputado federal Evair de Melo (PP-ES), autor do requerimento de convocação, repetiu ofensas já feitas anteriormente, dizendo que a ministra é “adestrada” e comparando-a às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e aos grupos terroristas Hamas e Hezbollah. “Esse modus operandi da ministra não é algo isolado. A estratégia dela é a mesma que as Farcs colombianas usam, que o Hamas, Hezbollah usam”, declarou o parlamentar.
Durante a audiência, que durou mais de cinco horas e meia, Marina Silva foi convocada para prestar esclarecimentos sobre o apoio ao acampamento Terra Livre, o aumento das queimadas e do desmatamento na Amazônia, e o impacto ambiental da realização da COP30 em Belém.
O episódio repete o ocorrido em maio no Senado Federal, quando Marina abandonou uma audiência pública após ser atacada por senadores da oposição. Segundo a ministra, o que aconteceu na Câmara foi “num nível piorado” em comparação ao episódio anterior. “Depois do que aconteceu ali (no Senado), as pessoas iam achar muito normal fazer o que está acontecendo aqui num nível piorado”, afirmou.
Acusações de machismo e racismo
Durante a sessão, Marina Silva denunciou posturas machistas dos parlamentares. Quando o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) gritou “calma, ministra” durante sua fala, ela rebateu: “Isso não é uma forma de se dirigir a uma mulher. Quando vocês (homens) levantam a voz, dizem que estão sendo incisivos, contundentes. Quando uma mulher fala com firmeza…”, disse, antes de ser interrompida novamente.
A ministra também denunciou preconceito nas falas dos deputados. “Vocês dizem: ‘Ah, ministra, peça para seus assessores ver os dados e ajudar a interpretar’. Eu entendo tudo que está codificado nessas falas. Tem muito preconceito, tem racismo, tem machismo, tem tudo”, respondeu a parlamentares que sugeriram que ela consultasse assessores sobre dados ambientais.
Comparação com câncer é repetida
Em um dos momentos mais tensos da audiência, Evair de Melo voltou a comparar a ministra com câncer, repetindo declaração feita anteriormente. “Um dia, eu fiz uma citação aqui comparando com um câncer. E eu pedi desculpas depois, porque o câncer muitas vezes tem cura. E esse viés ideológico construído nesse movimento conspiratório tem se mostrado aplicado nesse momento”, atacou o deputado.
O parlamentar também criticou a ministra por nunca ter trabalhado no agronegócio. “A senhora tem dificuldades com o agronegócio porque a senhora nunca trabalhou, a senhora nunca produziu, não sabe o que é prosperidade construída pelo trabalho”, afirmou.
Defesa de resultados ambientais
Apesar dos ataques, Marina Silva defendeu os resultados da política ambiental do governo, destacando a redução de 46% do desmatamento na Amazônia e 32% no país inteiro. A ministra também citou números positivos do agronegócio, que cresceu 15%, com a renda per capita crescendo cerca de 11%.
Em resposta às ofensas, Marina manteve postura religiosa: “Estou muito tranquila com a minha consciência. Em termo de defesa do meio ambiente, que Deus julgue entre eu e vossa excelência e dê seu veredito”, disse ao deputado Evair de Melo.
“É preferível sofrer a injustiça do que praticar uma injustiça. E eu prefiro sofrer uma injustiça do que praticá-la. Se você pratica a injustiça, pode ter certeza que a reparação um dia virá. Isso me conforta”, completou a ministra ao final da audiência.





















































































