O secretário municipal de Cultura e Turismo de Pedro Canário, Fúlvio Trindade de Almeida, foi preso na tarde desta quarta-feira (20) pela Polícia Federal durante a “Operação Eco da Fraude”. A ação investiga crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro que podem ter resultado em prejuízo de R$ 707 mil aos cofres públicos municipais.
Segundo o delegado do Departamento da Polícia Federal em São Mateus, Leonardo Guimarães, foram identificados pagamentos feitos por empresários diretamente ao agente público. O esquema funcionava com a prefeitura contratando uma empresa que, na prática, não executava os serviços. “Quem executava o contrato era um terceiro que tinha contato direto com o secretário”, explicou o delegado à TV Vitória.
Esquema complexo de terceirização irregular
As investigações revelaram um mecanismo sofisticado de desvio de recursos. A apuração indica que este terceiro que executava o contrato realizava transferência de recursos, sem uma causa legal para isso, para o secretário. O empresário que de fato prestava os serviços nem constava no quadro societário da empresa vencedora das licitações.
Durante a operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva. Outros dois empresários também são alvos de mandados de prisão, mas não foram encontrados e são considerados foragidos.
Trajetória controversa
Fúlvio Almeida ocupa o cargo em comissão de secretário municipal desde 2020, quando foi nomeado pelo ex-prefeito Bruno Teófilo Araújo (Republicanos) através do Decreto Nº 034, de 11 de fevereiro de 2020. Em 2022, recebeu a Comenda Empresarial “Américo Buaiz” da Assembleia Legislativa do Espírito Santo pelas iniciativas voltadas para Responsabilidade Social Empresarial.
Antes de assumir a secretaria, Almeida mantinha uma empresa de festas e eventos chamada “Illusion Music Hall”, que funcionou de agosto de 2019 a novembro de 2022, quando foi extinta “por encerramento/liquidação voluntária”.
O secretário também teve atuação controversa como advogado. Em 2023, Fúlvio Almeida atuou como advogado dos cinco policiais militares que assassinaram a queima roupa um adolescente negro em Pedro Canário, um caso que teve ampla repercussão nacional.
Investigação com “provas robustas”
Conforme o delegado Leonardo Guimarães, a investigação já se iniciou com provas robustas porque foram obtidas por meio de compartilhamento de outras operações. Durante as buscas, diversas mídias e documentos foram apreendidos e passarão por perícia para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção passiva e ativa, fraude ao caráter competitivo de licitações e lavagem de dinheiro. A Prefeitura de Pedro Canário, atualmente administrada pelo prefeito Kleilson Martins Rezende (PSB), ainda não se manifestou sobre o caso.
A operação representa mais um capítulo na luta contra a corrupção na administração pública capixaba, evidenciando a necessidade de maior transparência e controle nos processos licitatórios municipais.



















































































