Ao completar 75 anos no Brasil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) tem sido um dos principais parceiros na promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes brasileiros. Quando iniciou suas atividades no país, de cada mil crianças nascidas, 158 morriam antes de completar um ano. Ou seja, de 100 bebês, 16 morriam prematuramente. Atualmente, esse percentual caiu 90%, com 12 crianças a cada mil. Essa diminuição é resultado da atuação do Unicef, em conjunto com o poder público e organizações da sociedade civil.
A atuação do Unicef no país ao longo de sete décadas também se dirigiu para outras frentes além da saúde. São ações nas áreas de educação, proteção, combate à pobreza e outros temas. As conquistas e desafios para a infância e adolescência no Brasil estão no livro “UNICEF, 75 anos pelas Crianças e pelos Adolescentes – Uma História em Construção” e na exposição “Passos para o Amanhã”, lançados nesta quarta-feira (16), durante evento comemorativo no Palácio Itamaraty, em Brasília.
Um exemplo concreto dessa transformação é a trajetória de Marcos Coutinho, que aos 8 anos deixou o subúrbio do Rio de Janeiro para viver com a avó em Ponto Belo, no semiárido do Espírito Santo. Seis anos depois, uma decisão simples mudaria para sempre o rumo de sua vida: aos 14 anos, ele foi sozinho até a Secretaria Municipal de Assistência Social para se voluntariar. “Eu não sabia exatamente o que queria fazer, só sabia que queria ajudar. Cheguei lá e disse: ‘Quero falar com alguém. Quero me colocar à disposição'”, relembra o hoje prefeito da cidade, eleito em 2024 aos 30 anos.
O NUCA como divisor de águas
Aquele gesto aparentemente simples abriu as portas para uma trajetória marcada pelo engajamento social e político. Alocado no Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA), iniciativa que integra a metodologia do Selo UNICEF, Marcos passou a atuar em ações voltadas à infância e adolescência com o objetivo de melhorar os indicadores sociais do município.
“Com o NUCA, aprendi muito. Discutíamos políticas locais, como de redução da mortalidade infantil, os indicadores que precisávamos atingir de maneira intersetorial, ações de educação integradas com a saúde e a assistência social. Participar do NUCA teve um papel importante na minha vida”, afirma o prefeito.
Representando o Brasil no cenário internacional
A participação ativa no programa levou Marcos, em 2010, ao Parlamento Juvenil do Mercosul, representando o Espírito Santo em um fórum internacional de jovens. Aos 16 anos, ele se viu sentado à mesa com presidentes da República, debatendo temas como o pré-sal e os 10% do PIB para a educação.
“Foi muita responsabilidade. Mas também foi muito aprendizado representar minha região”, relata. A experiência internacional consolidou sua vocação para a vida pública e ampliou sua visão sobre políticas públicas.
Trajetória no serviço público
Após a experiência no NUCA, Marcos percorreu diversas funções públicas antes de chegar ao cargo máximo do executivo municipal. Passou por posições como subsecretário de Assistência Social e secretário municipal de Saúde, acumulando experiência em diferentes áreas da gestão pública.
Hoje, aos 30 anos, ele reconhece o papel determinante que o UNICEF teve em sua jornada. “A minha vida poderia ter seguido outro caminho. Venho de uma família humilde e hoje represento uma cidade. O NUCA me trouxe os valores que norteiam minha atuação política até hoje”, resume.
Compromisso com as futuras gerações
Como prefeito, Marcos tem uma meta clara: trazer de volta o Selo UNICEF para Ponto Belo, para que mais jovens tenham as oportunidades que ele teve. A iniciativa busca estimular políticas públicas voltadas à infância e adolescência nos municípios brasileiros.
Exposição celebra 75 anos de conquistas
Além da publicação, o Unicef também inaugura nesta quarta-feira a exposição Passos para o Amanhã, no Palácio Itamaraty, em Brasília. A mostra homenageia os avanços conquistados ao lado do governo federal em prol das crianças e adolescentes brasileiros, por meio de uma série de esculturas assinadas pelo artista André Alves de Freitas.
A exposição traz seis estátuas em tamanho real, representando transformações concretas em áreas essenciais da infância. Cada escultura simboliza um marco onde a atuação do Unicef contribuiu para mudar realidades: vacinação, saneamento básico, educação, participação cidadã, redução da mortalidade infantil e mudanças climáticas. Além das esculturas, será possível percorrer uma linha do tempo interativa, que apresenta dados históricos, reportagens e fatos marcantes.
Exemplo de transformação social
A trajetória de Marcos Coutinho ilustra como a atuação do UNICEF no Brasil vem contribuindo para consolidar o princípio da prioridade absoluta de crianças e adolescentes nas políticas públicas. Sua história demonstra também a importância da intersetorialidade para garantir a efetivação dos direitos fundamentais dos jovens brasileiros.
De um adolescente que buscava uma forma de ajudar sua comunidade a um gestor público comprometido com a transformação social, Marcos representa o potencial transformador dos programas de participação juvenil promovidos pelo UNICEF no país.





















































































