O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), reagiu com preocupação ao anúncio do presidente americano Donald Trump de impor tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10), o governador classificou a medida como “ideológica” e alertou para os possíveis impactos negativos na economia capixaba.
“É o momento de contar até 10, manter a racionalidade e buscar o diálogo. A tarifa tem uma motivação ideológica, e isso é inaceitável”, afirmou Casagrande. Segundo ele, esta é a primeira vez que se vê “uma tarifa ideológica no comércio internacional”, o que fragiliza as relações diplomáticas entre os países.
O Espírito Santo tem motivos para se preocupar. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações capixabas, representando 28,6% do total exportado pelo estado em 2024 – cerca de US$ 3,06 bilhões. Os principais produtos afetados incluem aço, rochas ornamentais, café arábica, celulose, petróleo e produtos agrícolas.
Setores mais vulneráveis
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, destacou que os setores mais expostos à nova taxação incluem “aço, rochas ornamentais, papel e celulose, minério e café, todos com forte peso na estrutura econômica do Espírito Santo”.
O setor de rochas ornamentais é particularmente vulnerável. De acordo com a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), os Estados Unidos responderam por 56,3% das exportações brasileiras do setor em 2024, totalizando US$ 711,1 milhões. O Espírito Santo foi responsável por 82,3% desta movimentação, com US$ 672,4 milhões destinados ao mercado americano.
“A nova alíquota coloca o Brasil em desvantagem competitiva frente a outros fornecedores internacionais, como Itália, Turquia, Índia e China”, alertou a Centrorochas em nota.
Motivação política
Trump justificou a tarifa como retaliação a medidas tomadas pelo Judiciário brasileiro, que classificou como “perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em carta ao presidente Lula, o americano criticou “a forma como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro” e mencionou “ordens de censura secretas e ilegais às plataformas de mídia social dos EUA” por parte do Supremo Tribunal Federal.
Para Casagrande, essa abordagem é “inaceitável” e “não tem nenhuma base em qualquer debate e relação diplomática”. O governador defendeu que “não se pode sacar uma tarifa daqui cada vez que se saca uma tarifa de lá. Isso não é duelo”.
Impactos econômicos
Caso a ameaça se concretize, o governador prevê uma série de consequências negativas para a economia capixaba: redução das exportações, adiamento de investimentos, perda de competitividade, alta do dólar, desemprego e queda na arrecadação estadual.
“Isso impacta diretamente no ânimo dos empreendedores capixabas e na arrecadação do Estado. Pode gerar desemprego e queda de receita”, avaliou Casagrande.
Diante do cenário, o governador propõe uma estratégia de diversificação de mercados a médio e longo prazo, aproveitando os investimentos já realizados pelo programa Investe-ES em portos e logística. Ele também iniciou tratativas com o setor produtivo para mensurar os impactos e sugerir alternativas ao governo federal.
Casagrande demonstrou otimismo cauteloso de que a medida possa não se concretizar, argumentando que “não há argumento econômico para ficar de pé” e que não é possível “sustentar um argumento político-ideológico por muito tempo”. “Esperamos que o bom senso prevaleça. Se houver espaço para diálogo, é por aí que devemos caminhar”, concluiu.




















































































