
Montanha – Como presente de aniversário, ao completar 59 anos de emancipação política, a ONG EMPATIA, presenteou os montanhenses, no último fim de semana, com a exposição “Memórias da Cidade”. Na exposição, realizada em praça pública do bairro Fundão, local de nascimento da cidade de Montanha, foi possível rememorar hábitos e costumes da sociedade montanhense da época.
Fato interessante foi a participação da população do bairro tanto com a contação de histórias, quanto com a cessão de fotos, objetos da época e presença no evento, onde adultos e crianças tinham papel bem definido.
Iara Soares Rodrigues, presidente da “Empatia” diz que a exposição nasceu em rodas de conversas com os moradores do bairro, sede da “Empatia” e berço da cidade de Montanha. Segundo Iara, os membros da “Empatia” são pessoas que nasceram no bairro: “nascemos aqui, no lugar onde nasceu a cidade. Amamos este lugar, e por consequência, amamos sua história. Uma história que é nossa, e da qual nos orgulhamos”.
Iara Rodrigues conta que os membros da “Empatia” são personagens que não só acompanharam o desenrolar dos fatos, mas pessoas fizeram parte deles. “É para não deixar morrer a nossa história. A cidade subiu a ladeira, mas a sua história ficou aqui. Aqui estão os casarões onde residiram os figurões do município na época, o primeiro comércio, o primeiro cartório e até a “Treta” – o cabaré da cidade”, disse.

Fato interessante nos foi relatado por alguém que pediu para ficar no anonimato sobre a Treta, é que uma jovem montanhense, que não mais reside na cidade e estava aqui de passagem, em visita à exposição, e admirando as histórias acontecidas na época, ao se deparar com a maquete da Treta, fez uma chamada para sua mãe para lhe falar sobre a Treta e buscar confirmar a veracidade da história. E, ao perguntar à mãe se conhecia a história do lugar, recebeu a seguinte resposta: “Conheço, sim, minha filha. Sua avó morava lá”.
Estes casarões foram representados em maquetes produzidas pelo artesão integrante da ONG, Fagner Soares. E, pudemos comprovar a fidelidade das obras através de imagens da época. Uma coisa que chama a atenção na exposição, é o quanto os moradores do bairro, e destes casarões, procuram, preservar suas identidades mantendo as faixadas, e até mesmo a estrutura. Assim, é possível encontrar, casas com paredes de pau-a-pique, ou sobrados com madeira em lugar de lajes, ainda habitadas.
A casa de Santana, professora aposentada, que lecionou no bairro até sua aposentadoria, é um destes casarões que chama a atenção pela preservação da sua arquitetura. “Até a cor, ela preserva. É um orgulho para nós”, disse Chalana coordenadora de projetos da ONG.
A professora Santana reside nesta casa há aproximadamente 60 anos.
A exposição “Memórias”, conta também um pouco da história política do município. Em um quadro foram apresentadas imagens de todos os governantes, desde sua emancipação política até agora. Todos os prefeitos estavam ali representados.
Fatos interessantes e que marcaram época, como o show de Luiz Gonzaga, por ocasião da inauguração do mercado municipal, também foram representados.

A exposição “Memórias da Cidade” recebeu visitação da Escola Viva, lideranças políticas e comunitárias.

O vereador Edivaldinho diz que a exposição “Memórias da Cidade” tem um significado muito importante para a comunidade montanhense. “Vejo aqui crianças tomando conhecimento da história e fazendo história. Ele diz que a exposição desperta o sentimento de pertencimento na população. Quem conheceu o nascer da cidade é levado a rememorar os fatos ali representados e a compará-los com a realidade atual. Vejo aqui também crianças em frente ao painel com fotos dos governantes da cidade buscando conhecer aqueles que não são de seu tempo. Isto é muito interessante”.
Edivaldinho disse que estava presente quando os alunos da Escola Viva chegaram para visitação, e que lhe chamou a atenção o interesse dos alunos por cada detalhe dali estava exposto.
Conheça um pouco da Ong Empatia

Segundo Iara Soares Rodrigues, presidente da ONG, a empatia surgiu do trabalho que sua famíla de ajudar a quem precisava. Daí, este trabalho em família foi sendo ampliado e surgiu a ONG.
Iara conta que trabalhava em um orfanato em Vitória, e que quando retornou para Montanha, juntou-se à família e começou a ajudar as pessoas, ali, no bairro onde nasceu e mora até hoje.
Ainda segundo Iara, o trabalho foi crescendo e envolveu outras pessoas. “Então, nasceu a ONG Empatia, que hoje trabalha em diversas frentes, mas ela destaca o “Doutores da Alegria” o “Mulheres” e o “Abraço Grátis”.
O “Doutores da Alegria” faz um trabalho de levar alegria à pacientes hospitalizados. Com este trabalho, Iara conta que membros da “Empatia” se fantasiam de palhaço e vão ao hospital onde procuram levar alegria, através de brincadeiras e palhaçadas mesmo, com o fim de arrancar um sorriso do paciente e fazê-lo esquecer, mesmo que por momentos, a sua dor.
Com o “Abraço Grátis”, a equipe da “Empatia” vai às ruas, também caracterizado de palhaços e, com faixas escritas “abraço grátis” se posicionam em alguns pelas ruas da cidade e, de braços abertos, oferecem seu abraço aos transeuntes. A presidente da Ong, Iara, afirma que muitas pessoas se emocionam ao receber o abraço. E, ela acredita ser pelo simples abraço. “Pois, muitas vezes a gente deseja um abraço e nele nos sentimos confortável. Porém, nem sempre o abraço vem de quem a gente espera. Receber o abraço de alguém, que nem sabemos quem é, mas que está ali, de braços abertos, para te abraçar, muitas vezes provoca um turbilhão de emoções. E, posso te afirmar, as emoções são nossas também”, afirma Iara.

Chalana Martins Lima, coordenadora de projetos da “Empatia” diz: “por incrível que pareça, a população gosta de receber o abraço. Em tempos de tanta violência nas ruas, encontrar alguém de braços abertos a te oferecer o conforto de um abraço, desperta muitas emoções nos transeuntes e em nós”.
É Chalana que também fala do “Mulheres”, ação que abre o diálogo com mulheres vítimas de violência: como abusos, dependência emocional. “Procuramos meios para orientá-las e encaminhá-las aos serviços públicos que podem ajudá-las. Procuramos mostrar a esta mulher, que ela não está sozinha”, destacou.



















































































