Saurabh Sharma, Aftab Ahmed e Shilpa Jamkhandikar – repórteres da Reuters
O ministro da Educação da Índia renunciou neste sábado, concedendo uma grande vitória aos jovens manifestantes cujos protestos de rua contra o vazamento de provas de exames haviam se tornado um desafio sério para o primeiro-ministro Narendra Modi.

Celebrações eclodiram no local de Jantar Mantar, na capital Nova Déli — que serviu como o principal ponto de protesto por dias —, com milhares de jovens gritando palavras de ordem de vitória e dançando.
O movimento liderado por jovens “Cockroach Janta Party” (CJP), que encabeçou as manifestações, afirmou que agora encerraria seus protestos. “Nós conseguimos”, disse Abhijeet Dipke, fundador do CJP, sob fortes aplausos no local.
Os maiores protestos de rua da Índia nos últimos anos haviam se tornado um grande problema para Modi nesta semana, à medida que alguns políticos da oposição manifestavam apoio aos jovens e interrompiam os trabalhos do Parlamento.
Cenas de protestos sem precedentes e o uso de gás lacrimogêneo pela polícia para controlar os manifestantes também alimentaram a indignação pública, embora as autoridades tenham defendido suas ações, alegando que estavam apenas garantindo a lei e a ordem.
O ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, anunciou sua renúncia em uma publicação na rede social X.
“Considerando a situação que surgiu em Jantar Mantar e em todo o país, para que forças antinacionais não tirem proveito dessa situação… enviei minha carta de renúncia ao primeiro-ministro”, escreveu Pradhan.
“Respeito profundamente as aspirações, os sentimentos e as expectativas legítimas da juventude do país.” Os manifestantes exigiam sua renúncia devido ao vazamento, em maio, da prova de um importante exame de admissão para faculdades de medicina, o que levou ao cancelamento dos resultados e à realização de uma nova prova, afetando 2 milhões de jovens.
Os protestos também refletiram a crescente indignação na Índia em relação à escassez de empregos e à responsabilidade do governo. A renúncia de Pradhan é “uma vitória da paz, da paciência e da perseverança”, escreveu no X o ativista Sonam Wangchuk, que estava em greve de fome há 26 dias em apoio ao movimento dos jovens.
O ministro da Saúde, J. P. Nadda, e Jitendra Singh, ministro adjunto no gabinete de Modi, realizaram posteriormente uma coletiva de imprensa conjunta com alguns líderes do CJP, na qual o grupo anunciou o fim dos protestos mediante um acordo de que o governo não tomaria medidas contra nenhum manifestante.
Comemorações no local do protesto
À medida que os protestos se intensificavam nesta semana, Modi rompeu com seu estilo habitual de discursos roteirizados e transmissões mensais de rádio para publicar um vídeo pessoal, gravado por ele mesmo, dizendo estar angustiado com os vazamentos das provas de exames e que tomaria medidas rigorosas. Os manifestantes afirmaram que não cederiam a menos que o ministro da Educação renunciasse.
No sábado, jovens no local de protesto de Jantar Mantar gritavam “Jai Hind” — um slogan patriótico que significa “Vitória para a Índia” — enquanto o hino nacional tocava em alto-falantes e doces eram distribuídos entre a multidão. Pelo menos 1.000 policiais permaneciam nas proximidades, fazendo a segurança da área, segundo jornalistas da Reuters presentes no local. As vias ao redor do centro comercial de Connaught Place, próximo ao local do protesto, foram interditadas em meio às comemorações e ao aumento da multidão, que contava com milhares de manifestantes.
Pradhan, de 57 anos, membro sênior do partido Bharatiya Janata (BJP) de Modi e filho de um veterano líder do partido, ocupava o cargo de ministro da Educação desde 2021. Após a notícia de sua renúncia, as autoridades federais restabeleceram o acesso à internet móvel nas imediações do local do protesto, depois de tê-lo bloqueado durante a maior parte da semana.
“A geração jovem está aqui. Esta é uma vitória para a Constituição”, disse o manifestante Tluanga Ralte, caminhando com um exemplar da Constituição indiana no local do protesto após a renúncia de Pradhan. “Não somos uma geração preguiçosa.”
Oposição exige pedido de desculpas de Modi
Apoiadores do movimento indiano apelidado de “barata” vinham protestando desde junho, mas a revolta atingiu o auge depois que a polícia feriu dezenas de estudantes na segunda-feira, utilizando cassetetes e disparando gás lacrimogêneo para conter multidões de manifestantes que marchavam em direção ao Parlamento. Rahul Gandhi, líder do partido de oposição Congresso, saudou a renúncia do ministro da Educação, mas afirmou que aqueles que feriram estudantes durante os protestos “precisam ser responsabilizados” e que Modi deve pedir desculpas pelo uso de tal força.
Pradhan, que no passado foi cotado como possível presidente do BJP, é apenas o segundo ministro a renunciar em meio a um escândalo desde que Modi assumiu o poder em 2014. M.J. Akbar renunciou ao cargo de ministro adjunto das Relações Exteriores em outubro de 2018 para contestar acusações de assédio sexual feitas por mais de uma dezena de mulheres durante o movimento #MeToo na Índia.
Estudantes, jovens ativistas e apoiadores da oposição realizaram protestos nos últimos dias nos estados de Bengala Ocidental, Telangana, Karnataka e Tamil Nadu, exibindo cartazes que exigiam a renúncia de Pradhan e boicotando aulas em alguns locais. “Lembrem-se: não mexam com a barata”, disse o líder do protesto, Dipke, em um comunicado no sábado.
* Reportagem de Saurabh Sharma, Aftab Ahmed, Aditya Kalra, Bhawika Chhabra, Krishna Das, YP Rajesh, S



















































































