O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, prestou depoimento na sede da Polícia Federal em Brasília na manhã desta sexta-feira, 13. O militar é investigado por suspeita de tentativa de fuga do país com passaporte português, obtido através de intermediação do ex-ministro do Turismo Gilson Machado.
Cid chegou à corporação às 10h56, acompanhado de seu advogado Cezar Bittencourt, e não deu declarações à imprensa. O depoimento ocorre após investigações revelarem que Machado tentou obter um passaporte português para o tenente-coronel no consulado de Portugal no Recife, em 12 de maio deste ano.
O ex-ministro do Turismo foi preso hoje em Recife por sua participação no esquema. Em entrevista ao UOL na última terça-feira, Machado negou ter ido a qualquer consulado e disse ter ficado sabendo da investigação pela imprensa.
A Polícia Federal também cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Cid, em Brasília. O militar admitiu ter solicitado cidadania portuguesa em 2023, mas nega conhecimento sobre a iniciativa de Machado. Segundo sua defesa, o pedido foi feito em 11 de janeiro de 2023 – três dias após os atos golpistas de 8 de janeiro – “única e exclusivamente” porque sua esposa e filhas já possuem a cidadania portuguesa.
Inicialmente, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes havia decretado a prisão de Cid, mas revogou a decisão em seguida. A defesa do tenente-coronel afirma que ele cumpre todas as medidas cautelares impostas pelo STF e nega qualquer tentativa de deixar o país.
Delação central no caso do golpe
Mauro Cid é peça-chave na investigação que apura o plano coordenado por auxiliares de Bolsonaro para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e executar um golpe de Estado. Sua delação premiada é considerada central para a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os acusados de tramar a ruptura democrática.
O ex-presidente, Mauro Cid e mais seis aliados são acusados de cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Se condenados, as penas somadas podem chegar a 46 anos de prisão para cada acusado.
Esta semana, Cid foi interrogado pelo STF, e pontos de sua delação são contestados pelos demais acusados. Bolsonaro, por exemplo, declarou a Moraes que nunca editou um rascunho de decreto de golpe, contrariando o relato do tenente-coronel.
Histórico de prisões
Esta não é a primeira vez que Mauro Cid enfrenta problemas com a Justiça. Ele foi preso pela primeira vez em 2023, acusado de fraudar cartão de vacinação, permanecendo detido por cinco meses até ser liberado após fechar acordo de delação premiada.
Em 2024, foi preso novamente devido ao vazamento de áudios em que criticava o STF e a PF, alegando ter sido coagido em seus depoimentos. Após dois meses preso, foi solto e declarou que as mensagens foram apenas “desabafos” que não correspondem à verdade.
O caso reforça a complexidade das investigações sobre a tentativa de golpe e coloca em evidência as estratégias dos investigados para escapar das consequências judiciais de seus atos.



















































































