Um homem fortemente armado abriu fogo na noite de sábado (25) em um posto de segurança do hotel Washington Hilton, onde acontecia o tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA), com a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da primeira-dama, Melania Trump, e de integrantes da cúpula do governo. O presidente e a esposa foram retirados rapidamente do local pelo Serviço Secreto, e o atirador foi detido ainda no hotel, segundo informaram a Agência Brasil e agências internacionais.
De acordo com a CBS News, foram disparados entre cinco e oito tiros nas imediações do salão onde ocorria o evento. Um agente do Serviço Secreto foi atingido por um dos disparos, mas estava protegido por um colete à prova de balas e deve se recuperar, conforme apuração da Reuters reproduzida pela Agência Brasil. O suspeito também ficou ferido e foi levado a um hospital para avaliação, segundo o chefe interino da Polícia Metropolitana de Washington, Jeffrey Carroll, em entrevista citada pela CBS News.
Quem é o suspeito
A polícia identificou o atirador como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia. Conforme reportagem da NPR, Allen é engenheiro mecânico formado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em 2017 e concluiu mestrado em ciência da computação na California State University, Dominguez Hills, em 2025, atuando também como professor.
Segundo o Washington Post, Allen deve ser apresentado nesta segunda-feira (27) à Justiça Federal de Washington, acusado de dois crimes de uso de arma de fogo em ato violento e de um crime de agressão contra agente federal com arma perigosa. As acusações foram anunciadas pela procuradora-geral interina dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro.
De acordo com a CBS News, o suspeito chegou à capital americana de trem, com escala em Chicago, partindo de Los Angeles, e estava hospedado desde sexta-feira (24) no décimo andar do próprio Washington Hilton. Investigadores apreenderam o celular e outros aparelhos eletrônicos dele.
O manifesto e a motivação
Minutos antes do ataque, Allen teria enviado a familiares um documento de cerca de mil palavras, classificado pela Casa Branca como um manifesto, no qual se autointitulava “assassino federal amigável” e descrevia o desejo de atingir autoridades do governo Trump, conforme noticiaram a CBS News e o NewsNation. O texto alternava confissões pessoais, queixas políticas — incluindo críticas a ataques americanos contra embarcações suspeitas no Pacífico Oriental — e justificativas religiosas para a ação.
A NPR informou que o irmão do suspeito acionou a polícia de New London, em Connecticut, ao receber o documento, e que a irmã, Avriana Allen, declarou ao Serviço Secreto que ele tinha histórico de declarações radicais. Segundo a mesma reportagem, ela afirmou ainda que o irmão participou de um protesto do movimento “No Kings” na Califórnia e integrava o grupo ativista Wide Awakes.
Investigadores também encontraram, conforme a Fox News, postagens com retórica antitrump e anticristã nas redes sociais do suspeito. Em entrevista à CBS, Trump classificou o atirador como um “lobo solitário”, ainda que o Serviço Secreto não tenha confirmado essa caracterização, segundo a Agência Brasil.
A cena no hotel
A repórter da CBS News Olivia Rinaldi, que cobria o evento, comparou o som dos disparos ao do atentado contra Trump em Butler, na Pensilvânia, em 2024. Imagens divulgadas pela CNN mostram convidados se abrigando sob mesas e seguranças escoltando autoridades para fora do salão. O vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. e o diretor do FBI, Kash Patel, também foram retirados em segurança, conforme o verbete sobre o caso publicado pela Wikipédia em inglês com base em coberturas das principais agências.
De acordo com Carroll, da Polícia Metropolitana, o suspeito avançou contra o detector de metais portando uma espingarda, uma pistola e várias facas. O evento foi cancelado logo após o incidente.
Repercussão política
O ex-presidente Barack Obama publicou nota nas redes sociais pedindo que os americanos rejeitem a ideia de que a violência tem espaço na democracia e agradeceu aos agentes do Serviço Secreto, conforme registrou a CNN. Em entrevista ao programa “60 Minutes”, da CBS, Trump afirmou que a primeira-dama reagiu com firmeza ao episódio e disse que o ataque demonstra a necessidade de reforçar a segurança em torno de prédios públicos da capital — argumento que sua administração tem usado em defesa da construção de um novo salão de festas na Casa Branca, projeto questionado por entidades de preservação histórica.
O presidente também afirmou no programa que a imprensa e o Partido Democrata seriam, em suas palavras, “quase a mesma coisa”, ainda que tenha dito não desejar o cancelamento do tradicional jantar.


















































































