Encontro com dois deputados federais eleitos da União Progressista, federação que indicou o vice do governador, ocorre na mesma semana em que PSD, Republicanos, Podemos e a própria UPb se alinharam a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial
O candidato ao governo do Espírito Santo Lorenzo Pazolini (Republicanos) publicou nas redes sociais, nesta sexta-feira (9), a foto de um café da manhã com os deputados federais eleitos Da Vitória (PP) e Marcelo Santos (União Brasil), dois nomes que integraram o grupo político do governador Ricardo Ferraço (MDB), seu adversário no segundo turno. O presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, também participou do encontro.
“Conversar com os líderes políticos do nosso Estado é entender que, por meio do diálogo, sempre podemos construir pontes para o futuro. Obrigado pelo café e pelo bom bate-papo!”, escreveu Pazolini na postagem.
O gesto ganha peso porque a federação dos dois deputados está na chapa adversária. Em agosto, a União Progressista homologou o vereador de Vitória Camillo Neves (PP) como candidato a vice-governador na chapa de Ferraço, e a indicação teve o aval de Marcelo Santos, presidente estadual do União Brasil. Antes da definição, a federação chegou a condicionar sua permanência na frente governista a um espaço na chapa majoritária.
Vantagem no primeiro turno
A aproximação ocorre após um primeiro turno favorável ao candidato do Republicanos. Com todas as urnas apuradas, Pazolini terminou em primeiro, com 49,65% dos votos válidos (1.048.633 votos), contra 34,06% de Ferraço (719.397 votos). A decisão está marcada para 25 de outubro.
Marcelo Santos, ex-presidente da Assembleia Legislativa, se aliou ao grupo de Ferraço e do ex-governador Renato Casagrande ainda em 2025, antes da criação da federação. Agora chega à Câmara dos Deputados: foi eleito deputado federal com 82.365 votos. Da Vitória, presidente estadual do PP e reeleito, permaneceu na base governista durante a gestão Casagrande, mas sempre manteve boa relação com Pazolini — a atual prefeita de Vitória, Cris Samorini, ex-vice do republicano, é filiada ao PP.
Análises da imprensa capixaba já apontavam o movimento. Segundo o portal ES Hoje, uma eventual adesão da União Progressista à campanha de Pazolini expõe um descolamento pragmático já visto no primeiro turno, e o deputado federal Evair de Melo (PP), eleito com apoio de Da Vitória e Marcelo Santos, passa a funcionar como ponte entre a federação e a chapa do Republicanos. A divergência interna não é nova: em 2025, o apoio público de Marcelo Santos a Ferraço gerou ruído dentro da federação.
Efeito da disputa presidencial
O realinhamento local acompanha o cenário nacional. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) somou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Lula (PT), e no Espírito Santo o desempenho foi ainda mais forte: 1.233.194 votos, ou 54,78% dos válidos.
Neutros na primeira etapa, partidos do centro passaram a aderir ao senador. Na quarta-feira (7), União Brasil e PP confirmaram apoio a Flávio após reunião com o candidato. “As urnas e as ruas clamam por uma mudança e nós não ficaremos inertes”, publicou Marcelo Santos.
O Republicanos seguiu o mesmo caminho. Um evento em Brasília selou o apoio nacional do partido a Flávio no segundo turno, com a participação de Pazolini. Em agosto, a sigla havia optado pela neutralidade: dos 27 diretórios estaduais, 17 defenderam a posição neutra e nove pediram apoio ao senador. A relação de Pazolini com o bolsonarismo, contudo, vem de antes: em julho, Flávio declarou apoio à pré-candidatura do ex-prefeito ao governo capixaba, e o PL oficializou apoio a Pazolini, que tem como vice Eliane Leal (PL). Em 2022, na disputa entre Jair Bolsonaro e Lula, Pazolini não declarou apoio público a nenhum dos candidatos.
Renzo e Podemos
No interior, o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcellos (PSD), também se posicionou. O PSD foi o primeiro partido a se posicionar oficialmente no segundo turno estadual, declarando apoio a Pazolini, com a adesão pessoal de Renzo, presidente da sigla. O prefeito também anunciou voto em Flávio Bolsonaro: “Por coerência com minhas convicções, declaro meu apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República”, escreveu.
O Podemos, que havia decidido ficar neutro na eleição presidencial no primeiro turno, também declarou apoio a Flávio em encontro com o presidenciável. Participaram o deputado federal Gilson Daniel, presidente estadual do partido, e os prefeitos de Viana, Wanderson Bueno, e de Linhares, Lucas Scaramussa. “Política se faz com posição, coragem e construção. E hoje demos mais um passo importante nessa caminhada”, publicou Gilson Daniel. No plano estadual, o Podemos foi o primeiro partido a fechar com a candidatura de Ferraço, ainda em abril; até o fechamento desta edição, a sigla não havia anunciado mudança de posição na disputa pelo governo.















































































