Evany Lira
Uma porta aberta significa um convite. Fechada, ela pode significar uma recusa, uma negação ou uma rejeição. Então, por que o prefeito André Sampaio fechou a segunda porta da prefeitura e afirmou que estava fechando a porta para abrir um mundo de possibilidades?
Segundo o prefeito, a porta agora fechada, por todos os relatos que ele recebeu durante a pré-campanha e a campanha, significava para os montanhenses a negação, a recusa e, até o desrespeito. “Era através dela que o ‘poder’ entrava e saia do prédio, sem contato com os cidadãos e cidadãs, que muitas vezes ficavam à espera de alguém que já não permanecia no local, ou que lá se adentrava sem ser visto e muito menos abordado. Aquela porta representava para o cidadão e a cidadã montanhense o abismo que separava o representante do governo de seus governados”, disse André Sampaio.
O arquiteto e músico, Fernando Fuão, diz que “quando uma porta se abre significa que há uma nova oportunidade para algo, o que pode também sinalizar uma nova etapa da vida”, mas, que “uma porta que se fecha […] pode também sinalizar o término de uma etapa”. André Sampaio disse não conhecer os estudos de Fuão sobre a porta, mas que sua pequena ação de fechar a porta dos fundos da Prefeitura que, nos últimos anos, dava escapatória à chefe do Executivo, significa sim “o término de uma etapa”. Uma etapa que a população de Montanha quer esquecer. Uma etapa em que a porta deixou de cumprir sua função que é, segundo o filósofo Derrida, relacionar um dentro e um fora, um distante e um próximo, para se tornar um local de negação da hospitalidade, do acolhimento.
A porta em nossa cultura foi objeto de estudo também do modernista Sartre, em “A Idade da Razão”, como uma possibilidade do acolhimento ou de hostilidade.
Levinas, filósofo que assim como Sartre, nasceu em 1905, diz: “Graças ao fechamento da porta, posso olhar o mundo por suas frestas, só assim vejo sem ser visto”. Porém, André Sampaio diz que o fechamento da porta contraria a fala de nosso filósofo. Ele afirma que a porta foi fechada exatamente para poder olhar de frente “o mundo”, que para ele significa as pessoas, o cidadão e a cidadã que vão à prefeitura em busca de diálogo. Segundo Sampaio, ao entrar e sair pela porta social, estará em contato direto, com o povo que o elegeu para servi-lo. “Um dia ou outro, pode ocorrer de eu não poder receber todos que ali estiverem, mas todos saberão que tive que me ausentar, ou que estou ali, presente na prefeitura. E, são estas as possibilidades que o pequeno ato de fechar a porta dos fundos, abrem: as possibilidades do diálogo, que é a verdadeira porta do acolhimento e da hospitalidade. É com o diálogo aberto e franco que, junto com os montanhenses, iniciaremos um novo tempo, um novo amanhã, e buscaremos novas oportunidades para todos”, disse.
Percebemos que, em Montanha, a premissa defendida por Derrida de que “a porta abre ou encerra o tempo”, realiza-se em toda sua essência.



















































































