O Brasil perdeu na madrugada deste sábado (21) um de seus maiores nomes das artes cênicas. Juca de Oliveira, ator, diretor, escritor e dramaturgo, morreu aos 91 anos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado desde a última sexta-feira (13) com pneumonia e uma condição cardíaca. Ele havia completado 91 anos na segunda-feira (16).
Nascido José de Oliveira Santos, em 16 de março de 1935, em São Roque, interior de São Paulo, Juca abandonou o curso de Direito da USP em 1958 para seguir sua verdadeira vocação: o teatro. A decisão abriria caminho para uma trajetória de sete décadas que o levaria dos palcos do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e do Teatro de Arena às telas da televisão brasileira.
No teatro, destacou-se em montagens históricas como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes. Foi premiado com o Molière de melhor ator pela peça “Um Edifício Chamado 200”, em 1972, e acumulou ao longo da carreira mais de 60 espetáculos encenados.
Na televisão, ficou marcado por personagens inesquecíveis. Foi o simpático imigrante italiano de “Nino, o Italianinho” (1969), o carismático João Gibão de “Saramandaia” (1976), o perturbador cientista Dr. Augusto Albieri de “O Clone” (2001) e o cruel vilão Santiago de “Avenida Brasil” (2012), entre tantos outros.
Além de ator, Juca também assinou textos consagrados, como “Baixa Sociedade” (1979), “Meno Male” (1987) — que lhe rendeu o prêmio Governador do Estado de melhor autor — e “Caixa 2” (1997), sucesso que ficou seis anos em cartaz e foi adaptado para o cinema em 2007.
Engajado politicamente desde jovem, integrou a esquerda comunista, chegou a se autoexilar na Bolívia após o golpe militar de 1964 e foi preso inúmeras vezes. Presidiu o Sindicato dos Atores de São Paulo em 1968, conquistando direitos importantes para a categoria, como a regulamentação do tempo máximo de gravação e o prazo mínimo de 72 horas para memorização de texto.
Juca deixa a mulher, a musicista Maria Luiza de Faro Santos, e a filha do casal, Isabella Faro de Oliveira.































































































