O governo da França vai empregar tropas militares para apoiar o policiamento durante as manifestações marcadas para o próximo sábado (24). O anúncio foi feito na terça-feira (20) pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, em pronunciamento à Assembleia Nacional.
Segundo o ministro, os soldados da força Sentinelle, criada para missões antiterrorismo em território francês, assumirão funções das forças de segurança interna. “Principalmente para liberar a polícia e os gendarmes em sua missão de manter a ordem”, explicou.
A declaração veio depois que o primeiro-ministro Sébastien Lecornu prometeu um esquema policial “massivo” para sábado, com o objetivo de garantir um “retorno imediato à ordem”. No último fim de semana, os protestos terminaram em confrontos, carros incendiados e saques nos centros de Paris, Marselha e Lyon, que ficaram praticamente sem proteção diante dos grupos violentos.
Toque de recolher
Para conter os distúrbios, o governo passou a adotar toques de recolher noturnos em bairros afetados das principais cidades do país. De acordo com Lecornu, a medida contribuiu para a tranquilidade registrada na última noite e poderá ser estendida pelo restante da semana, se necessário.
Em Paris, a polícia esvaziou a Place de la République durante a madrugada e manteve o local sob vigilância, com apoio de helicóptero. Em Lille, no norte do país, a restrição vale apenas para menores de idade, e agentes patrulharam o centro verificando documentos de quem circulava. Em Marselha, o prefeito Benoît Payan anunciou toque de recolher para menores nas áreas comerciais mais atingidas, a partir da noite de terça-feira.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou que 149 pessoas detidas no fim de semana seguem presas à espera de julgamento. Cerca de 2,5 mil continuavam sob custódia para interrogatório.
Origem da revolta
O movimento começou com greves e atos de estudantes do ensino médio contra a queda na qualidade do ensino e a deterioração das escolas. A mobilização acabou se somando a um descontentamento mais amplo com a alta dos preços e com a percepção de que demandas nas áreas de saúde, moradia e assistência social não estão sendo atendidas.
Grupos ligados aos Gilets Jaunes (Coletes Amarelos), movimento surgido em 2018 contra o aumento de impostos sobre combustíveis e praticamente inativo nos últimos anos, voltaram a convocar protestos pontuais contra a escalada no preço da gasolina. Já as principais centrais sindicais, entre elas a CGT, não aderiram às convocações para sábado.
“Houve coisas que deram certo e outras que deram errado”, admitiu Lecornu. “Minha determinação em restaurar a ordem é absoluta.”
Clima eleitoral
A crise acirra o ambiente político a seis meses da eleição presidencial francesa, em que candidatos da extrema direita e da extrema esquerda lideram as pesquisas de intenção de voto.

Itália e Albânia
Os protestos franceses inspiraram manifestações em outros países. Na Itália, Milão viveu dois dias de tumulto no fim de semana, com saques no principal bairro comercial, e houve confrontos em Bolonha, Brescia, Bérgamo e Turim. O governo de Giorgia Meloni deve discutir uma resposta que inclui o envio de 500 soldados para “defender Milão”, segundo o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini.
Na Albânia, manifestantes, em sua maioria estudantes, foram às ruas de Tirana pelo sétimo dia seguido contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama. Assim como na França, a principal motivação é o alto custo de vida.


















































































