Sismo com epicentro em Gójar, próximo a Alhendín, deixou três pessoas feridas e reacendeu o alerta na Andaluzia, uma semana após o abalo principal de magnitude 4,8 que atingiu a região
A cidade de Granada, no sul da Espanha, voltou a tremer nesta terça-feira (18). Um novo sismo, de magnitude 4,7 na escala Richter, foi registrado por volta das 10h37 (horário local) com epicentro em Gójar, localidade próxima a Alhendín, na área metropolitana da capital andaluza. O Instituto Geográfico Nacional (IGN) chegou a divulgar uma magnitude preliminar de 4,6, corrigida horas depois para 4,7.
O governo regional da Andaluzia confirmou três pessoas feridas de forma leve, sendo que uma delas, menor de idade, precisou ser levada a um hospital. Pouco depois do tremor principal do dia, uma réplica de magnitude 4,2 foi sentida às 11h34, também com epicentro em Alhendín — reforçando que a sequência sísmica iniciada na semana passada permanece ativa.
Imagens divulgadas nas redes sociais e por veículos locais mostram árvores caídas e carros danificados em uma das principais avenidas de Granada, além de estragos materiais em imóveis da região.
Uma semana de abalos
Este novo episódio é a continuação de uma sequência sísmica que já dura mais de cinco dias. Segundo o CNN em Espanhol, com base em dados do Instituto Andaluz de Geofísica, a atividade começou na quinta-feira (13), com um sismo de magnitude 3,1, seguido por outro de 3,6. O evento mais forte da série, porém, ocorreu na madrugada de sábado (15): um terremoto de magnitude 4,8, com epicentro cerca de 8 quilômetros a sudoeste da cidade de Granada. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), citado pelo site The Conversation, esse abalo de sábado teve magnitude de momento (Mw) de 5,2 e profundidade de poucos quilômetros, o que ajuda a explicar por que foi sentido tão amplamente.
Desde então, o IGN tem contabilizado uma sucessão de réplicas. Logo após o tremor principal de sábado, quase 100 réplicas foram registradas em profundidades muito superficiais, das quais 13 chegaram a ser percebidas pela população. Já na segunda-feira (17), o balanço divulgado pelo próprio instituto era ainda maior: um total de 348 movimentos sísmicos contabilizados desde a madrugada de sábado até as 10h daquele dia, a maioria de baixa magnitude e todos em profundidades inferiores a 10 quilômetros.
Resposta das autoridades
O tremor de sábado levou a Junta de Andaluzia a ativar a fase de emergência do seu Plano de Risco Sísmico. Em Granada, a prefeitura, comandada pela prefeita Marifrán Carazo, também acionou preventivamente o plano local de emergências. De acordo com o jornal El Español, o município chegou a gerenciar 445 ocorrências após o forte terremoto de sábado, embora a Polícia e os Bombeiros tenham descartado danos estruturais graves nos imóveis da capital andaluza. Ainda segundo o veículo, o serviço de emergências 112 da Andaluzia atendeu mais de 200 chamados apenas nas primeiras horas após o abalo — número que, segundo balanços posteriores do próprio comitê de emergência, já superava meio milhar nos dias seguintes.
Os tremores também foram sentidos fora da província de Granada: de acordo com o site especializado Hogarfax, o abalo de sábado chegou a ser percebido em Madri, Múrcia, Albacete e Ciudad Real.
Especialistas alertam para novas réplicas
Reunido em comitê consultivo, um grupo de especialistas em risco sísmico da Andaluzia avaliou que o comportamento da atual série apresenta semelhanças com o enxame sísmico registrado na região em 2021. Segundo o relato do Instituto Andaluz de Geofísica, publicado pelo El Independiente de Granada, os especialistas classificaram o episódio como típico da atividade sísmica das cordilheiras Béticas, onde costumam ocorrer enxames formados por abalos concentrados em curto período — com tremores precursores, um evento principal de maior magnitude e réplicas subsequentes. A recomendação técnica é de que novos tremores de magnitude 3 e 4 continuem a ocorrer nos próximos dias.
Diante desse cenário, autoridades locais têm pedido à população que mantenha a calma, mas que comunique às equipes de emergência qualquer sinal de rachaduras em construções ou indícios de movimentação do terreno — já que réplicas de uma sequência sísmica como essa são, por natureza, imprevisíveis.
Com informações de IGN (Instituto Geográfico Nacional), Instituto Andaluz de Geofísica, Junta de Andaluzia, Ayuntamiento de Granada, El Español, CNN em Espanhol, The Conversation, La Nación, Infobae e El Independiente de Granada.


















































































